19 de jul de 2009

Os quatro evangelhos

A primeira pergunta que surge ao começarmos o estudo dos Evangelhos e esta: por que são quatro? Por que não são apenas dois, três ou apenas um? A resposta é simples: pelo fato de ter havido, nos tempos apostólicos, quatro grupos representativos do povo - os judeus, os romanos, os gregos e a Igreja, que é um corpo formado dos três grupos. Cada evangelista escreveu para um desses grupos, adaptando-se ao caráter, às necessidades e aos ideais deles.

Mateus apresenta Jesus como o Messias, sabendo que os judeus aguardavam ansiosos pela vinda dele, prometida no A.T. Lucas escreveu para os gregos, um povo culto ideal era o homem perfeito; por isso fez que o seu livro focalizasse a pessoa de Cristo como a expressão desse ideal. Marcos descreveu Cristo como o conquistador poderoso porque se dirigia aos romanos, cujo ideal era o poder e o serviço. João tinha em mente as necessidades dos cristãos de todas as nações e, então, apresenta as verdades mais profundas do Evangelho, entre as quais, os ensinamentos acerca da divindade de Cristo e do Espírito Santo. O princípio de adaptação foi mencionado por Paulo em 1° Coríntios 9.19-21 e ilustrado em seu ministério entre os judeus e os gentios (compare a sua mensagem aos judeus em Atos 13.14-41, e a dirigida aos gregos em 17.22-31). Essa adaptação é uma nítida indicação de um desígnio divino nos quatro evangelhos.

A esse respeito, devemos lembrar-nos de que a mensagem dos Evangelhos dirigi-se à humanidade em geral, visto que os homens são os mesmos em todas as épocas.

Os antecedentes revelam mais uma razão para a existência de quatro evangelhos, a saber: um evangelho só não teria sido suficiente para apresentar os vários aspectos da personalidade de Cristo. Cada um dos evangelistas focaliza-o de um ângulo diferente. Mateus apresenta-o como rei; Marcos, como conquistador e servo; Lucas, como o Filho do Homem e João, como o Filho de Deus. Essa visão de cristo é como a de um grande edifício - só um lado pode ser exibido de cada vez.

O fato de os evangelistas terem escrito os seus relatos de diferentes pontos de vista explicará as diferenças entre eles, suas omissões e adições, a aparente contradição ocasional e a falta de ordem cronológica. Os autores não procuraram produzir uma biografia completa de Cristo. Levando em consideração as necessidades e o caráter do povo para o qual escreviam, escolheram os acontecimentos e discursos que destacassem exatamente sua mensagem especial. Mateus, por exemplo, escrevendo para o povo judeu, fez que tudo no seu evangelho - a seleção de discursos e acontecimentos, as omissões e adições, o agrupamento dos fatos - servisse para realçar a missão messiânica de Jesus.

Vamos ilustrar a maneira com que cada evangelista ressalta em aspecto particular da personalidade de Cristo. Suponhamos que quatro escritores se propõem a escrever a biografia de uma pessoa famosa com estadista, soldado e autor. Um desejaria salientar sua carreira política, colhendo relatos de campanhas e discursos. Outro, os êxitos literários. O terceiro, com a intenção de sublinhar suas proezas no campo militar, descreveria  as promoções, condecorações e batalhas nas quais se distinguiu. O quarto, quereno exaltar as virtudes manifestas na vida domésticam, descreveria fatos que o mostrassem como pai, esposo o amigo ideal.

Os primeiros três evangelhos são chamados sinóticos, porque fornecem uma "sinopse" (vista geral) dos mesmos acontecimentos e têm um plano comum. O Evangelho de João foi escrito em base inteiramente diferente dos outros três.

Os pontos de diferença entre os sinóticos e o evangelho de João são os seguintes:
  1. Os sinóticos contêm uma mensagem evangélica para os homens não espirituais; o de João contém uma mensagem espiritual para os cristãos.
  2. Nos três vemos seu ministério na Galiléia; no quarto, de modo especial, o ministério na Judéia.
  3. Nos três sobressai a vida pública; no quarto, é revelada sua vida particular.
  4. Nos três impressiona sua humildade real e perfeita; no quarto, sua divindade admirável e verdadeira.
Por: Myer Pearlman; Em: Através da Bíblia Livro por Livro; Editora: Vida Acadêmica.

1 Comentários:

Muito bom, o Evangelho primitivo sem humanização. O poder e a simplicidade que alcança todos os tipos de homens

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