18 de jul de 2009

Finalmente, uma advertência

"Mas entre vós não será assim"

Uma advertência que tem sido feita à igreja católica em relação ao absolutismo do poder papal, deve ser ainda mais crucial em relação às igrejas que, por definição, têm uma estrutura democrática de governo. Jesus não estabeleceu uma hierarquia de poder funcional de cima para baixo na Sua Igreja, como nos governos e empresas do mundo, mas uma escala de valores espirituais, de baixo para cima. Os critérios de seleção de Jesus causaram espanto entre os apóstolos que, como todos os seres humanos, disputavam o poder e discutiam entre si para saber qual deles seria o maioral. Esses critérios estão claros em Marcos 10.42-44: "Sabeis que os que julgam ser príncipes das gentes delas se assenhoreiam, e os seus grandes usam de autoridade sobre elas; mas entre vós não será assim; antes, qualquer que entre vós quiser ser  grande, será vosso serviçal (diakonos - ministro); e qualquer que dentre vós quiser ser o primeiro, será servo (doulos - escravo) de todos". Piedade, santidade, humildade em servir, eficiência em alcançar os objetivos do Reino, contam mais do que títulos, abrangência de poder, tempo de serviço, competência profissional ou simpatia pessoal. As funções do ministério, tanto na esfera da igreja local quanto na cooperação entre igrejas, devem ser encaradas como oportunidades de servir, de abençoar, de ser exemplo de respeito às liberdades individuais na comunidade, nunca dando lugar ao espírito autoritário, discricionário e ditatorial, que é a negação da liberdade  em Cristo, para a qual fomos chamados. A sede de mando, a luta pelo poder, as carências pessoais, não raro mórbidas, que se transformam em disputas pela primazia na igreja, têm causado maiores danos à igreja do que os ataques de fora. A "síndrome de Diótrefes" (3° João 9,10) é uma das estratégias na liderança do Reino. Mas ao dizer: "entre vós não será assim", Jesus acrescenta: "Porque o Filho do Homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos". Mirem-se no exemplo de Cristo todos aqueles que têm a oportunidade de servir no Reino e o façam com humildade, sem vanglória, na completa dependência do espírito de Deus.

É impressionante como, em igrejas aparecidas de uns tempos para cá, tem surgido uma verdadeira "guerra dos títulos". Bispos e bispas, apóstolos, estão faltando ainda os títulos de arcebispos e cardeais. Isso tudo é emulação carnal e mundana. Jesus adverte: "Entre vós não será assim". Biblicamente, não há uma hierarquia entre pastores, e os demais obreiros(1). Tanto os obreiros quanto os pastores devem toda a lealdade: primeiro, a Cristo, depois, à Igreja e depois uns aos outros no temor do Senhor. Pastores e obreiros unidos em amor tratando-se com mútuo respeito e dignidade, trabalhando com humildade, são os instrumentos de que Deus precisa para abençoar a sua igreja e, através da igreja, o mundo inteiro.
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(1) Neste caso, "obreiros", representa todos que atuam na obra do Senhor, presbíteros, evangelistas, missionários, diáconos e inclusive, os próprios pastores.
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Extraído da revista: "Capacitação cristã", "Série Aperfeiçoando". Edição n° 3 - Eclesiologia - A doutrina da igreja.

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