16 de abr. de 2010

João Bunyan, um peregrino a caminho do Céu

"João Bunyan o Peregrino"
João Bunyan
Oferecendo serviços de caldeireiro ambulante, lá vai João Bunyan - o peregrino - pelas ruas de algumas cidades da Inglaterra. Corre o ano de 1648. Aquele rapaz de 25 anos, ex-soldado do Parlamento, não sabe o que o destino lhe tem reservado. Casado com a jovem que o conduziu aos caminhos da Fé, João Bunyan, enquanto conserta caldeiras, prega o Evangelho a todos quanto estão ao alcance de sua voz.

Local do Nascimento de Bunyan
Local do Nascimento de Bunyan
Anos antes, levara uma vida dissoluta em Harrowden, sua cidade natal. Seu lar era extremamente pobre. Contam alguns historiadores da época que o modo mais seguro de se localizar o adolescente Bunyan era dirigir-se ao local onde estivesse ocorrendo alguma briga, pois ele estava envolvido nela. Mas agora aquele moço, que entrara no exército do Parlamento para combater os insurretos durante a guerra civil, e que, apesar de sua coragem, fora dispensado da carreira das armas por gostar de perdoar os inimigos, caminhava pelo país consertando caldeiras e anunciando a salvação oferecida por Jesus Cristo.

Porém a Igreja Oficial, formalizada e secularizada pela monarquia, não podia tolerar essa concorrência do jovem pregador, e tratou de encarcerá-lo na prisão de Bedford. Durante 12 longos anos, João Bunyan viveu ali, numa cela escura e fria. Mas o calor e a luz que ele irradiou para o mundo através de seus livros tornaram-no um dos grandes servos de Deus imortalizados na memória da humanidade.

A esposa e os amigos de Bunyan tudo fizeram para libertá-lo, mas as autoridades civis recusaram-se a fazê-lo, a menos que ele prometesse que nunca mais se dedicaria à pregação do Evangelho. Ao saber dessa condição, Bunyan afirmava sempre:

- Se eu sair hoje do cárcere, começarei a pregar hoje mesmo, com a ajuda de Deus.

E assim o tempo foi passando, e Bunyan foi se aprofundando cada vez mais na leitura da Palavra de Deus, a ponto de dominar grande parte de sua riqueza temática e se identificar plenamente com o estilo dos escritores sagrados. Disse ele, numa das cartas que escreveu à sua esposa:

"Nunca havia sentido a presença de Deus ao meu lado de maneira tão poderosa como a estou sentindo agora, após o encarceramento. A leitura das Escrituras me fortalece tão profundamente, que chego a desejar, se lícito fosse, maiores provações para receber maiores consolações."

Foi no úmido cárcere da prisão de Bedford que Bunyan escreveu o livro que seria traduzido em mais de 100 idiomas, e cuja influência na cultura de língua inglesa só é superada pela Bíblia, equiparando-se, contudo, à obra de Shakespeare e a de Milton, os dois maiores escritores ingleses de todos os tempos. "O Peregrino", ou "A Viagem do Cristão à Cidade Celestial", título da obra prima de João Bunyan, é hoje considerado um dos maiores clássicos já produzidos pelo cristianismo.


Texto extraído do livro: Eles andaram com Deus, de Jefferson Magno Costa, editora CPAD