27 de ago de 2010

Bibliologia Inspiração da Bíblia

Inspiração da Bíblia
Bibliologia - Inspiração da Bíblia
Durante séculos, a Igreja Cristã utilizou as Escrituras Sagradas sem definir solenemente sua fé na inspiração dos livros sagrados. Com o passar dos anos, chegou-se à compreensão de que Deus é o autor do Antigo e do Novo Testamentos, listando todos os livros sacros, sendo que alguns deles (deuterocanônicos) não se adequavam ao princípio da inspiração. Duas expressões que aparecem no Novo Testamento são utilizadas pelos teólogos para dar autoridade divina às Escrituras: escritor inspirado (2Pe 1.19-21) e livro inspirado (2Tm 3.15). Assim, o cristianismo aceita “Deus - autor da Escritura” e os homens como seus instrumentos, sem reduzi-los a instrumentos mecânicos.

Para os cristãos, Deus quer a existência das Escrituras, como um dos elementos constitutivos da Igreja. As Escrituras haveriam de formar-se por meio da comunidade cristã, brotando de sua atividade. Deus é o autor da Igreja e das Escrituras. Desse modo, os fatores divino e humano, que concorreram para a produção das Escrituras, estão relacionados entre si como causa principal e instrumental. Nesse ponto, deve começar qualquer explicação sobre a atividade inspirativa e apropriante de Deus.

Antes do Renascimento e da Reforma, a reflexão sobre a natureza da inspiração ficou limitada a certas observações incidentais ao se tratar da origem divina das Escrituras.

Logo surgiu:
A teoria do ditado, segundo a qual Deus teria comunicado idéias e palavras aos escritores bíblicos, que escreviam exatamente o que haviam recebido em suas mentes. Esta teoria foi abandonada no final do século XIX.

A teoria da aprovação posterior afirmava que os homens escreveram os livros da Bíblia e a Igreja os aprovou. Ela (a teoria) foi modificada mais tarde com a idéia de que o Espírito Santo teria dado uma assistência aos escritores, impedindo-os de cometer erros, sem interferir com outra influência.

Durante o século XIX, ainda surgiu:
A teoria da inspiração formal e não material, que afirmava haver Deus inspirado o conteúdo das Escrituras e não a expressão verbal, fruto do talento e da capacidade dos escritores sagrados. Esta teoria foi modificada em sua parte metodológica, isto é, não se deveria partir da afirmativa de que “Deus é o Autor”, mas da noção teológica de inspiração divina. Enfim, é o estudo da Bíblia o ponto de partida básico para se refletir sobre a inspiração divina, que é Deus operando para produzir um efeito concreto: a Bíblia.
No século XIX, o próprio princípio da inspiração foi julgado, pois alguns negavam a intervenção sobrenatural de Deus. Entretanto, foi formulado o seguinte princípio:
“Se alguém não aceita como sacros e canônicos os livros completos da Sagrada Escritura com todas as suas partes, segundo a enumeração que deles faz a tradição e os concílios da Igreja, ou se alguém nega que estes livros são divinamente inspirados, que este tal seja anátema” (In: A. FÉUILLET, p. 9).
O influxo da divina inspiração sobre o autor sagrado, pode-se dizer, começa com a própria vida. No caso de Jeremias, por exemplo, foi chamado desde o ventre materno (Jr 1.5). Possuía qualidades intelectuais, imaginativas e emocionais necessárias para compor determinado livro. No momento de realizá-lo, a inspiração divina atuou sobre a pessoa, que foi preparada para uma tarefa definida na história da salvação.

A ação de Deus sobre o autor sagrado pode ser definida como Spiritu Sancto Inspirante. Essa inspiração influi em todas as faculdades do autor, afetando o entendimento especulativo (o que se há de comunicar) e o entendimento prático (o modo de comunicá-lo).

O autor sagrado possuía convicção subjetiva, segurança e visão penetrante desenvolvidas sob influxoda inspiração. A comunidade recebia os textos na certeza de que eram vindos de Deus. O Senhor Deus utilizou pessoas, lugares, coisas e acontecimentos para dirigir e orientar o entendimento do autor sagrado. A vontade do autor também estava sob o influxo da inspiração divina.

Uma vez aceitando a Bíblia como Palavra inspirada por Deus, observam-se os efeitos desta inspiração sob quatro aspectos:
  1. Deus se revela na Bíblia.
  2. A Bíblia forma uma unidade completa.
  3. A Bíblia permite o encontro entre Deus e a pessoa.
  4. A inerrância na Bíblia se evidencia.

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