5 de dez de 2009

Os dons de liderança na igreja

Que bom se todos os líderes de igrejas soubessem disto!

Apóstolo (apostolos) - Figura como substantivo ou adjetivo, significando "embaixador" comissionado, aquele que é enviado com uma missão específica. Ocorre 79 vezes no Novo Testamento. Stricto sensu, designa um grupo de 12 homens que conviveram com Jesus e são testemunhas pessoais do seu ministério e da sua ressurreição. A estes 12, Jesus enviou com autoridade sobrenatural para operar sinais e proclamar a sua mensagem. lato sensu, designa uma das funções dos missionários cristãos (Interpreter's Bible Dic, in loc). Em que pese a doutrina católica de sucessão apostólica e a presunção mórmom de possuir os doze, os textos bíblicos, em nenhuma instância deixam a idéia de uma transmissão ou linha sucessória. Não é um título formal ou institucional, mas operacional, como todos os títulos de liderança no NT. Paulo atribui a si  mesmo o título de apóstolo (1°Coríntios 9.2), por considerar-se embaixador de Cristo. Esse título de Paulo foi contestado em Corinto. Sobre o espírito com que os apóstolos devem servir, veja João 13.14-16. Não é função de domínio nem de prestígio pessoal, mas de serviço.

Profetas (profetes) - Aquele que anuncia em voz alta, porta voz, o que fala em nome de alguém que lhe é superior. No NT, "aquele que, movido pelo Espírito de Deus como seu porta voz, declara solenemente aos homens o que dele recebeu por inspiração, especialmente sobre eventos futuros e proclama o Reino de Deus para a salvação do ser humano" (Thayer, citação livre). Este título é aplicado aos profetas do Antigo Testamento, a João Batista, ao Messias (Atos 3.22,23). Surgiram alguns cristãos na Igreja primitiva com revelações especiais (Atos 15.30). É considerado um dom espiritual (1° Coríntios 14.29), não um título formal. Designa a percepção sobrenatural em relação aos propósitos de Deus para a Igreja e para o mundo. Foi um dom espiritual de grande valia quando a Igreja ainda não possuía as Escrituras do Novo Testamento. Não confundir profetas com adivinhos ou prognosticadores, totalmente vedados nas Escrituras. O profeta verdadeiro encarna a vontade de Deus e proclama os juízos de Deus. O falso profeta encarna sua própria vontade e proclama sua própria palavra. O Espírito Santo, ainda uma vez, faz a diferença.

Evangelistas (evangelistes - Efésios 4.11) - Portador das boas novas, aquele que anuncia as boas de salvação. "designa os proclamadores das boas novas que não eram apóstolos" (Thayer). Veja Atos 21.8; Efésios 4.11; 2° Timóteo 4.5 (Paulo exorta Timóteo a fazer a obra de um evangelista). Veja em Atos 8.4 que todos exceto os apóstolos, (que não foram dispersos, v.1), foram por toda a parte, anunciando a palavra. Todos eram evangelistas.

Pastor (poimenas) - Não designa posição hierárquica ou institucional, mas a virtude do líder para apascentar o rebanho de Jesus (1° Pedro 5.2,3). É um dom do Espírito (Efésios 4.11). Há pastores verdadeiros e pastores falsos. O verdadeiro dá a vida pelas ovelhas. O falso, mercenário, que não está emocionalmente  ligado às ovelhas, "vê vir o lobo e deixa as ovelhas; e o lobo as arrebata e dispersa" (João 10.11,12). Jesus deu a Pedro, apóstolo, pescador de profissão, a incumbência de apascentar os seus cordeiros, como resultado do seu amor ao Senhor (João 21.17). Qualquer outra motivação que não seja o amor a Jesus, resultará em fracasso no pastoreio das ovelhas de Jesus. Ninguém pode amar as ovelhas sem amar a Jesus "mais do que estes" e ninguém que ame a Jesus pode deixar de amar as ovelhas de Jesus. O cuidado pastoral abrange: a) Zelo para com a vida de cada ovelha do rebanho individualmente (Lucas 5.4); b) interesse e carinho em nutrir as ovelhas do rebanho (Salmo 23.2); c) proteção do rebanho, em face dos predadores (Amós 3.12); d) fortalecimento das ovelhas para poderem resistir aos predadores na ausência do pastor (Atos 20.29-31); e) responsabilidade, consciência de que terá que prestar contas das ovelhas a Deus (Hebreus 13.17).

Mestre (didaskalos) - Também traduzido por "doutores" (Efésios 4.11) e "instruidores" (1° Timóteo 2.7). Paulo, apóstolo, é "doutor" dos gentios. Ele não sente que seja sua obrigação, apenas proclamar o evangelho, mas levar os salvos a viverem o evangelho. Veja em Gálatas 4.19, que o grande e desafiador alvo do mestre cristão é formar o caráter de Cristo nos discípulos, não apenas transmitir conhecimentos sobre Cristo. O ensino do mestre cristão só é válido mediante a unção do Espírito. Faça uma boa leitura de 1° João 2.27, onde se vêm em contraste, o ensino ungido da verdade e o ensino do erro (pseudos). Cuidado: o pseudo-discipulado pode estar encastelado dentro da Igreja. A unção da verdade capacita o mestre a permanecer em Cristo "para que quando ele se manifestar, tenhamos confiança e não sejamos confundidos por ele na sua vinda" (v. 28). Assim podemos resumir as funções dos mestres no NT: a) tornar claro o ensino de Jesus; b) traçar a linha divisória entre a verdade e a mentira para que os discípulos de Jesus não sejam enganados pelos falsos mestres; c) levar os discípulos a observarem, no seu modo de viver, os ensinos de Jesus (Mateus 28.20); d) preparar a Igreja para o encontro com Cristo na sua vinda.

Supervisor (episkopos) - Bispo, superintendente, aquele que tem uma visão global da obra, o que faz a inspeção da obra. De epi (sobre, superior, por cima de) e skopeo, "observar de longe, desde cima, pôr a vista em, ter por fim, ter cuidado, velar, examinar" (Isidro Pereira). Não designa posição de mando, mas de serviço específico e responsabilidade. Thayer traduz: "alguém incumbido do dever de observar o que está sendo feito por outros". Abrange: a) conhecimento dos objetivos parciais, para que seja alcançado um objetivo global; b) conhecimento das tarefas e das pessoas que as executarão; c) capacidade para atribuir tarefas e acompanhá-las, substituir métodos e pessoas na hora própria. Em 1° Timóteo 3 são mencionadas as funções de bispos e diáconos distintamente, o que dá a entender que havia apenas duas categorias de obreiros nas Igrejas: diáconos e pastores, estes também chamados anciãos, mestres, bispos, evangelistas, conforme a função em foco. A.H. Newman, historiador, no seu Manual de História da Igreja, Vol. 2, página 134, cita nomes dos mais aceitos na erudição bíblica em favor da tese de que na Igreja primitiva havia apenas duas categorias de oficiais: bispos ou presbíteros (também chamados pastores), e diáconos.

Anciãos (presbyteros) - Refere-se à dignidade, ao respeito devido, à sabedoria  prudência nas palavras, decisões e atitudes, que o pastor deve demonstrar, não importa a sua idade. É mais um termo grego vestindo um conceito hebraico. Tecnicamente, a palavra define apenas a idade. Espiritualmente, o conceito tem raízes na cultura hebraica, cuja sociedade patriarcal buscava nos "anciãos" conselhos de sabedoria e prudência. Não se trata de uma instituição eclesiástica. Todos os líderes devem cultivar a virtude da prudência e moderação. Em Lucas 14.32, presbeian é uma embaixada de paz. Veja em Lucas 22.66 que os anciãos formavam o sinédrio, que outras traduções chamam de concílio. 1° Timóteo 4.14 não fala de um presbitério institucional, mas de uma reunião de obreiros idôneos para imporem as mãos sobre a cabeça de Timóteo, como ato de reconhecimento público da sua capacitação espiritual para o ministério e não como um ato mágico de transmissão de virtude.

Ministro (diakonos) - O uso secular desta palavra equivale a "criado, servente" (Isidro Pereira). "Alguém que executa as ordens de outrem, especialmente de um mestre; servo, ministro, atendente." (Thayer) Refere-se ao servo a serviço do rei. Em Mateus 22.13, os diáconos são os servos do rei que recebem a ordem de amarrar o intruso da festa e atirá-lo nas trevas exteriores. Em Mateus 20.26, Almeida Revisada traduz por "serviçal". BLH traduz "o que é mandado." Outras versões trazem "o que serve". Em Colossenses 1.25 Paulo se considera "ministro segundo a dispensação de Deus", literalmente, "diácono conforme a mordomia de Deus." Em Romanos 13.4, a autoridade secular é designada como "ministro de Deus". Em Atos 6.2,3, o diaconato é formalmente instituído para "servir às mesas." (dos pobres). Posteriormente, as igrejas passaram a escolher diáconos para gerir os vários aspectos da beneficiência e da sua administração secular.

Extraído da revista: "Capacitação cristã", "Série Aperfeiçoando". Edição n° 3 - Eclesiologia - A doutrina da igreja.

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