Havia, nos dias de Jesus, três grandes instituições judaicas: as sinagogas, o templo e o sinédrio.

a) Origem das sinagogas - As sinagogas originaram-se durante o cativeiro babilônico. Longe de Jerusalém, portanto longe do templo, sem possibilidade de participarem dos cultos, dos sacrifícios e da aprendizagem da lei, os cativos começaram a reunir-se em grupos para estudos da lei e orações e cânticos de salmos. Aos poucos foram estabelecendo lugares fixos e foram se estruturando, com a eleição de oficiais responsáveis pelas atividades. Através dos séculos, à medida que os judeus dispersavam-se pelo mundo, iam criando sinagogas por onde estivessem. Quando Jesus veio, existiam sinagogas também dentro da Palestina, facilitando o povo. Nas atividades do Senhor Jesus e nas do apóstolo Paulo encontram-se várias referências às sinagogas nas quais ensinaram. A palavra sinagoga é de origem grega. vem de sun agôu, que tem o sentido literal de vou com, dando a ideia de "reunidos juntamente".
b) Função das sinagogas - "A função precípua da sinagoga era prover um lugar para o estudo da lei. O templo constituía o lugar de culto, enquanto que a sinagoga era o de prover instrução: a instrução educacional do judaísmo. 'Em diversas cidades', diz Filo, 'nossas casas de oração não são mais que instituições para ensino da prudência e coragem, temperança e justiça, piedade e santidade'. O ensino era administrado por escribas ou rabis, especialmente preparados para este fim, e separados para este serviço por meio de especiais cerimônias d eordenaçaõ" (H. E. Dana. O Mundo do Novo Testamento. Juerp, p. 126). Dentro da Palestina, nas cidades sob domínio de população judaica, as sinagogas, além dessa função de ensino, exerciam também a de tribunais, porquanto os seus anciãos controlavam naõ somente os negócios religiosos, como acontecia nas sinagogas da dispersão, mas também os negócios civis arbitrando questões entre os judeus.
c) O funcionamento das sinagogas - Inicialmente as sinagogas só se reuniam aos sábados, mas nos dias de Jesus elas se reuniam também nas segundas e terças-feiras, par beneficiar o povo. Os serviços das sinagogas obedeciam a um certo padrão de liturgia. Depois dos serviços preliminares, de abertura, um oficial da sinagoga lia um trecho da lei e depois de um dos profetas, então era convidado um dos participantes, ou alguém se oferecia voluntariamente para fazer um comentário. Para concluir, um sacerdote pronunciava a bênção final. Jesus valeu-se desse sistema, para visitando sinagogas, falar do Evangelho (Lucas 4.14-21).
d) Os oficiais das sinagogas - Cada sinagoga tinha uma espécie de diretoria, com variadas funções:
- Anciãos. Ocupavam o primeiro lugar em importância. Eram escolhidos pela comunidade para supervisionar a vida comunitária.
- Dirigente. Era responsável pela conservação da casa de reuniões, tomava conta dos rolos das escrituras que a sinagoga possuísse e dirigia os serviços das sinagogas, ou escolhia alguém para que o fizesse.
- Recebedores. Encarregados de receber coletas e distribuir esmolas.
- Ministros (no grego diáconos, os que servem). Um era o auxiliar do dirigente, outro, o "recitador de orações" que também servia como secretário da sinagoga em suas transações com o mundo exterior (H. E. Dana. op. cit. p. 128).
Por: Delcyr de Souza Lima
Fonte: Revista Capacitação Cristã - Geografia Bíblica - Juerp














