14 de out de 2009

Bildade e a Teologia da Prosperidade


Nas últimas décadas do Século 20, as igrejas evangélicas foram tomadas por uma teologia que acabou por substituir a verdadeira adoração a Deus por um espírito meramente comercial. Referimo-nos à pervertida e ímpia Teologia da Prosperidade (leia-se, Teologia do Milhão).

Esse arremedo de doutrina levou os fiéis a inverterem os mais caros valores de sua fé: o mais importante, agora, para milhões de filhos de Deus não é o ser; e sim: o ter. Dessa forma, as pessoas, em nossas igrejas, começaram a ser julgadas não pelo que eram, mas pelo que tinham.

Desse modo foi o patriarca avaliado por seu amigo Bildade que, neste caso, representa a Teologia do Milhão.

I. Quem foi Bildade?
Não possuímos muitas informações acerca de Bildade. Limita-se a Bíblia a informar que este amigo de Jó era um suita. Certamente morava ele em Canaã, onde Suá, à semelhança de Temã, era um daqueles pequenos reinos ali estabelecidos.

No livro de Jó, temos três discursos de Bildade, que se encontram nos capítulos 8, 18 e 25.

II. A Teologia da Prosperidade
1. O que é a Teologia da Prosperidade.
É a doutrina, segundo a qual o crente, por ser filho de Deus, jamais passará por agruras financeiras, pois foi ele destinado a viver de maneira regaladamente pródiga, sem ter de se denfrontar com as carências materiais comuns a todos os seres humanos.


2. A doutrina de Bildade.
Como predecessor da Teologia da Prosperidade, acreditava Bildade que, se Jó estava sofrendo e já nada possuía, era porque pecara contra o Senhor. Pois somente são atribulados aqueles que desobedecem a Deus. Logo: os que o obedecem, acham-se em larguezas e profusões.

A fim de fundamentar a sua doutrina, evoca Bildade o testemunho dos antigos: "Porque, eu te peço, pergunta agora às gerações passadas e prepara-te para a inquirição de seus pais. porque nós sabemos; porquanto nossos dias sobre a terra são como a sombra" (Jó 8.8,9).

3. A falácia de Bildade.
Quão falacioso e sofístico era Bildade! Além de brincar com as palavras e jogar com raciocínios aparentemente válidos, ousa invocar até o depoimento dos antigos. Não agem assim os modernos proponentes da Teologia do Milhão? Na defesa deste aleijão doutrinário, torcem as Sagradas Escrituras, brincam com a verdade, fazem uso de subterfúgios lógicos e até citam, fora de seu contexto, o testemunho dos antepassados (2Pe 3.16).

III. As Contradições da Teologia da Prosperidade
Se Bildade viveu num período anterior ao patriarca Abraão, como acreditamos, que exemplo poderia ele apresentar dos antigos, para que a sua doutrina fosse devidamente justificada?
1. A Prosperidade Material.
De acordo com a História Sagrada, os ímpios vêm se prosperando materialmente muito mais do que os justos (Sl 73.1-10). O que dizer da civilização inaugurada pelo homicida Caim? A cidade por ele fundada era, tecnologicamente, avançadíssima (Gn 4.17-22). Enquanto isso, nem notícia temos do progresso alcançado pelos filhos do piedoso Sete. Que riquezas lograga Enoque? Ou Noé? Ou ainda Sem? Enquanto isso, iam os descendentes do indecoroso e irreverente Cão fundando grandes impérios: Líbia, Egito, Etiópia e os domínios de Canaã (Gn 10.1-20).

2. As Provações dos Justos.
A História Sagrada, no registro dos fatos que ocorreram após a era de Bildade, fala de alguns homens que, apesar de sua comprovada e singular piedade, foram submetidos às piores agruras. Se Abraão, Isaque e Jacó foram abençoados com grandes riquezas, José foi vendido como escravo, e como escravo viu-se constrangido às mais inumanas humilhações (Gn 37.26-36). Elias, Amós e Lázaro vivenciaram necessidades básicas. O primeiro viu-se na contingência de nutrir-se do que lhe traziam os corvos (1Rs 17.5-7). O segundo, como boieiro, alimentava-se de sicômoros (Am 7.14) E o terceiro, além da extrema pobreza, fora coberto por uma terrível chaga; e, assim, abandonado por todos, comia das migalhas que caíam da mesa do rico (Lc 16.20-25).

3. A Evidência de Uma Vida Piedosa.
Não quero, com isso, ressaltar a pobreza como evidência de uma vida plena de Deus, como não o é também a riqueza. Pois, se nas Escrituras Sagradas há ricos piedosos, há também pobres incrédulos e nada tementes a Deus.

Temos de agir com equilíbrio e discernimento, pois os extremismos teológicos, quer à esquerda quer à direita da Bíblia, são nocivos. Logo: que niguém seja julgado pelo que tem, mas pelo que é (Mt 5.16; 1Tm 5.25; Tg 1.26,27). Quer Deus nos conceda riquezas, quer nos deixe experimentar necessidades, tenhamos sempre em mente que Ele é Soberano e, como tal, sabe tratar com seus filhos (Jr 18.1-16). Habacuque e Paulo sabiam viver na abundância, e não se pertubavam na privação (Hb 3.17-19; Fp 4.10-13).

IV. A Justa Porção de Agur
A Teologia da Prosperidade é diabolicamente perversa e mentirosa, porque induz os filhos de Deus a buscar a riqueza, por concluírem ser esta tão importante quanto a salvação. Alerta Paulo, contudo, que, os que porfiam por serem ricos, cairão em muitas ciladas (1Tm 6.9). O mesmo apóstolo ainda alerta ser o amor ao dinheiro a raiz de todos os males (1Tm 6.10).

1. A Teologia da Miséria.
Não queremos urdir uma teologia da miséria, como se esta fosse suficiente para conduzir-nos aos céus. Se o fizermos, cairemos nas mesmas heresias daqueles monges que, supunham ter já conseguido a riqueza celeste. Assim como há ricos piedosos, e Jó, entre todos os ricos, pontificava por sua singular integridade, há também pobres ímpios e inimigos de Deus - e não são poucos!

2. A Porção de Agur.
Como buscar este equilibrio? O encontraremos na petição que, certa vez, um homem cahamado Agur endereçou a Deus: "Duas coisas te pedi; não mas negues, antes que morra: afasta de mim a vaidade e a palavra mentirosa; não me dês nem a pobreza nem a riqueza; mantém-me do pão da minha porção acostumada; para que, porventura, de farto te não negue e diga: Quem é o Senhor? Ou que, empobrecendo, venha a furtar e lance mão do nome de Deus" (Pv 30.7-9).

Noutras palavras, rogava Agur ao Senhor o pão nosso de cada dia (Mt 6.11).

Atentemos também a esta recomendação do Senhor Jesus em Mateus 6.25.

E vejamos ainda o que diz o apóstolo Paulo em 1Tm 6.7,9.

Fonte: Revista, Lições Bíblicas - Jovens e Adultos. 1° Trimestre de 2003 - CPAD

5 Comentários:

Muito bacsana este blog vou voltar sempre. forte braço!

Papodecrente.com, muito obrigado pelo incentivo. Também gostei do seu blog e já estou seguindo.

Seja bem vindo sempre!

Deus lhe Abençoe!

Essa teologia da prosperidade me dá nojo; e o pior: quando liga-se a televisão buscando assitir a uma pregação da Palavra so se vê isto!
:P

Pr Ednei Alves, Bahia

É Pr. Ednei, estamos no fim dos tempos, e a tendência é piorar cada vez mais. Só nos resta esperar n'Aquele que virá e não tardará.

Deus lhe Abençoe!

Apesar de neófito no Evangelho Sagrado, já tive o desprazer de ver e conhecer esta maldita "teoria da prosperidade", que está infelizmente arregimentando almas para o obscurismo e pecado.
Infelizmente o sistema mundano está presente e a cada dia se disseminando como se fora um virus no meio Evangélico/Religioso.
Quem entre nós ainda não teve o desprazer de ver nos meios de comunicação e até nas igrejas, pregadores dando shows oferecendo viagens a Israel, vendendo bungigangas como lenços brancos, terra santa de Jeruzalém, Pedras do rio Nilo, rosas vermelhas, chegando ao cúmulo de montar fogueira santa dentro do templo,(SEM CONTAR QUE É MUITO CARO A PARTICIPAÇÃO NESSES ENGODOS OFERECIDOS PELOS TAIS).
A nossa preocupação a meu ver deveria ser com a pregação do Evangelho Sagrado,para salvar ALMAS e não ficar ligado simplesmente em riquezas e prosperidade com intuíto tão somente de faturar, afinal o NOSSO DEUS NÃO É, E NEM FAZ BARGANHA.!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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