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Palmas para Jesus

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Pregações do Pastor Juanribe Pagliarin

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Sermão Expositivo o Pastor - Hernandes Dias Lopes

Sermões do Pastor Hernandes: Você quer ser curado? Por que a igreja existe? A restauração de Deus na tragédia. Pastores segundo o coração de Deus. Você sabe quão rico você é?...

31 de ago de 2009

A família no plano redentor de Deus

No que tange ao plano redentor de Deus quanto à família, há duas coisas muito importantes a considerar:
  • A compromisso divino em salvar a família 
  • A responsabilidade individual.

1) O compromisso divino em salvar a família. Desde Adão, vem o Senhor mostrando claramente o seu propósito de salvar não apenas o indivíduo, mas também toda a sua família. Ele salvou Noé e toda a sua família do dilúvio (Gn. 7:1-7). Interveio poderosamente no Egito, para de lá arrancar toda a família de Jacó de tão amargo cativeiro (Êx. 3:1-10). E redimiu toda a família de Raabe (Js. 6:25).

No novo testamento, demonstrou o Senhor Jesus a mesma solicitude em salvar o indivíduo com toda a sua família. Haja vista o que aconteceu com o publicano Zaqueu. Ao ver que este havia se arrependido de todos os seus pecados, afirmou Jesus: “Hoje veio salvação a toda esta casa, pois este também é filho de Abraão. Porque o filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido” (Lc. 19:9,10). Podemos citar ainda o caso do centurião Cornélio (At. 10). E o carcereiro de filipos. Na vida destes gentios – de Cornélio e o carcereiro − cumpre-se de maneira plena o maravilhoso plano de Deus.

2) A responsabilidade individual. O plano redentor de Deus em relação à família não nos isenta da responsabilidade individual: “A alma que pecar, esta morrerá; o filho não levará a maldade do pai, nem o pai levará a maldade do filho; a justiça do justo ficará sobre ele, e a injustiça do ímpio cairá sobre ele” (Ez. 18:20). Isto significa que, para todos serem salvos, todos precisam igualmente crer. A família do carcereiro de filipos alegrou-se, juntamente com ele, pela salvação recebida (At. 16:34)

29 de ago de 2009

O amor ao dinheiro é a raiz de todos os males [III]

II. O cristão não deve ser escravo das riquezas.
Os servos de Deus precisam entender bem alguns princípios que a Bíblia ensina sobre o dinheiro, para não serem enganados e escravizados por ele. As Escrituras ensinam que nunca devemos pôr nossa confiança na incerteza das riquezas (Pv. 11:28; I Tm. 6:17-19). Além disso:
  • O dinheiro não é fonte de alegria ou contentamento. Apesar das doutrinas de muitas igrejas de hoje que dizem que a prosperidade é evidencia de fidelidade, a Bíblia ensina que nem a riqueza nem a pobreza por si mesmas nos fazem melhores servos de Deus (Pv. 15:16,17; Ec. 5:10,11). No palco da vida o amor ao dinheiro vai seduzindo os homens para as corrupções (I Tm. 6:10,11).
  • Nós que seguimos a Cristo somos conclamados a buscar o Reino de Deus. Esta é a ordem de Jesus em Mt. 6:33.
  • Experimentamos a prosperidade interior quando Deus é nosso maior valor. Quando colocamos Deus – com Seus valores – antes de qualquer outra coisa desfrutamos a maior de todas as prosperidades: a interior (3 Jo. 2). Se prosperarmos espiritualmente, prosperaremos também física e materialmente. Afinal de contas, de onde vêm as bênçãos materiais? Confira a resposta em: Dt. 8:18.
Por estes e outros motivos, nós não devemos permitir que o nosso trabalho, ou o desejo de enriquecer materialmente tire o lugar que pertence a Deus. Sabemos das nossas necessidades e responsabilidades, mas se o nosso trabalho tem atrapalhado a nossa comunhão com Deus, clamemos a Ele para que ele nos socorra, e nos conceda um emprego que não interfira na nossa comunhão com Ele.

Ouvi certa vez a seguinte frase: “O caminho da felicidade começa quando aprendemos a administrar bem o nosso tempo e o nosso dinheiro”. Você quer ter uma vida financeira abençoada? Dedique mais tempo para Deus e administre bem o seu dinheiro, principalmente investindo no Reino de Deus. Mas não tente compensar uma possível falta com Deus usando o seu dinheiro. Ninguém pode comprar Deus!

“O caminho da felicidade começa quando aprendemos a administrar bem o nosso tempo e o nosso dinheiro”

O amor ao dinheiro é a raiz de todos os males [II]

I. O descontentamento impulsiona a busca pela satisfação terrena.
A Bíblia nos ordena que estejamos contentes com o que temos (Lc. 3:14; Hb. 13:5). Uma falha nesta questão acarretará em múltiplos problemas: queixa, aflição, inveja, ingratidão, cobiça etc. Aqueles que não estão contentes compram coisas que não podem pagar (Pv. 22:7). Vejamos alguns motivos para combater isto:

1) Aqueles que estão sempre querendo mais se tornam infelizes. Salomão foi claro ao dizer: “Quem ama o dinheiro jamais dele se farta; e quem ama a abundância nunca se farta da renda” (Ec. 5:10). Precisamos nos alegrar com o que temos, e não ficarmos pesarosos com o que não temos. Há boas razões para estarmos contentes com nossa prosperidade material: “Melhor é um punhado de descanso do que ambas as mãos cheias de trabalho e correr atrás do vento” (Ec. 4:6). Aqueles que estão sempre querendo mais se tornam infelizes e, mesmo assim, raramente ganham o que estão buscando.

2) Os bens materiais são facilmente transformados em ídolos. Para muitas pessoas, a aquisição de bens materiais se torna a força motora da vida. Ninguém pode servir a dois senhores (Mt. 6:19-24). O desejo de ter o que outros têm se torna uma obsessão que nunca será satisfeita (Pv. 11:28; 23:1-8; 28:22). A avareza é uma forma de idolatria que resultará em castigo por Deus (Cl. 3:5,6). Os ricos freqüentemente negligenciam qualidades e virtudes fundamentais. Muitos sacrificam a honra de um bom nome para obter vantagem financeira (Pv. 22:1; 28:6).

3) O contentamento espiritual é a única área que precisa ser intensificada. O escritor Gary Fisher diz que: “Há uma única área na qual o contentamento precisa ser evitado: é nas coisas espirituais”. Quando a igreja de Laodicéia decidiu sentar-se e descansar porque pensava que tinha tudo, foi um engano terrível! (Ap. 3:14-22). O contentamento espiritual é um sintoma de orgulho (Lc. 18:11-13). O homem com atitude adequada sempre se verá ainda longe da meta e estará redobrando os seus esforços para descer e então crescer (Fp. 3:12-14; I Pe. 5:6; 2 Pe. 3:18).

O amor ao dinheiro é a raiz de todos os males

Vivemos em uma época em que o desemprego, a miséria, e a pobreza têm assolado muitas pessoas. Muitos têm sofrido por verem seus filhos passarem necessidade, ou por desejarem coisas, e não conseguirem por falta de dinheiro. A taxa de desemprego tem sido tão grande, que aqueles que têm um emprego têm tentado mantê-lo, para que não passe necessidade, e não precise depender de ajuda de outras pessoas ou do governo.

E nessa preocupação em não perder o emprego, ou de ganhar um pouco mais de dinheiro muitos estão perdendo sua família, sua vida, seus filhos, sua alegria e sua vida com Deus. É normal vermos pais de família trabalhar em dois empregos, para sustentar a família. A realidade é que para muitos o trabalho tem sido mais motivo de problemas do que de solução. Muitos têm uma carga horária tão grande que quase não têm tempo para mais nada. Devemos sim trabalhar, pois o próprio Deus disse que o homem comeria do suor do seu rosto (Gn. 3:19), mas devemos buscar o equilíbrio de modo que o nosso trabalho seja uma bênção e não motivo de maldição.

Sem contar os casos de pessoas que na ânsia de “melhorar de vida”, tem se tornado verdadeiras escravas do trabalho. E o trabalho muitas vezes é um “senhor ditador”, que prende seus servos de modo que eles não conseguem mais se libertar.

Vejamos agora algumas recomendações úteis para não “cairmos” nesta área:

As ofertas no Novo Testamento

O conceito de oferta no Novo Testamento é um pouco diferente do Antigo Testamento. Especialmente pelo que o Senhor Jesus abordou em Mt. 5:23,24. Neste texto encontramos algo, de extrema relevância em relação às ofertas. Jesus disse: “Portanto, se trouxeres a tua oferta ao altar, e ai te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa diante do altar a tua oferta, vai reconciliar-te com teu irmão; depois vem, e apresenta a tua oferta”.

O que muitos têm ignorado hoje em dia é exatamente esta questão, a oferta mais do que uma entrega de dinheiro é um ato de adoração, e quando ofertamos não estamos ofertando aos homens, tanto que Jesus alertou para que ninguém saiba (Mt. 6:2-4).

Já que a oferta é um ato de adoração ela não deve ser ministrada de qualquer maneira. Temos visto muitas pessoas que não falam umas com as outras, brigam entre si, não tem comunhão, não perdoam aos seus devedores e nem amam aos seus inimigos, e trazem a sua oferta achando que Deus irá aceitar uma oferta deste tipo. Na verdade o dinheiro entregue por tais pessoas é útil para o sustento da obra de Deus aqui na terra, mas não é aceito no Céu por Deus.

Notemos que Jesus não disse: “se vocês fizerem algo contra alguém”, mas disse: “se lembrares que alguém tem algo contra ti”. Vemos que não trata somente se eu tenho ou não culpa, mas se alguém tem algo contra mim. A recomendação Bíblica é que se vá até a pessoa para se concertar com ela, ao invés de se sentir absolvido por ter certeza que não fez nada, e que foi a pessoa que se “ofendeu a toa”. O que Deus olha é se nós estamos fazendo a nossa parte conforme vemos em Rm. 12:18.

O livro de Atos dos apóstolos nos mostra, que os cristãos da igreja primitiva não ofertavam apenas uma parte do seu dinheiro, mas entregavam o valor referente a todas as suas propriedades aos pés dos apóstolos (At. 4:34).

Jesus elogiou a atitude de uma viúva pobre que entregou tudo que tinha ao Senhor (Mc. 12:42-44). Jesus elogiou a atitude daquela mulher, pois ela entregou tudo que tinha. Aquela mulher poderia nem ter ofertado se assim ela quisesse, e creio que ela não seria condenada por isso, creio ainda, que ela tinha muito mais motivos do que eu e você juntos para não ofertar. Eram dívidas a pagar, o próprio sustento, a comida, roupas e etc. Mas mesmo assim ela depositou tudo que tinha, demonstrando com isso sua disposição de se entregar, e entregar tudo o que tinha integralmente, para Deus. Na verdade ela provou com seu comportamento, e não só com palavras que amava mais a Deus do que a ela mesma. E que estava disposta a abrir mão do que fosse preciso para adorar ao Senhor.

O que Deus olha não é a quantia que ofertamos, mas sim a nossa disposição em ofertar. 

A questão da oferta não se restringe somente ao âmbito financeiro, podemos ofertar ao Senhor também com a nossa mão de obra. Se, temos talentos da parte de Deus, podemos usá-los como meio de se ofertar ao Senhor.

Vale citarmos ainda outras observações acerca da oferta. a) A oferta deve ser conforme a renda do ofertante. (Dt. 16:17). b) A oferta deve ser dada sem ostentação (Mt. 6:3). c) A oferta deve se dada regularmente toda semana (I Co. 16:2). d) A oferta deve ser dada com alegria (2 Co. 9:7).

Lembremo-nos que assim como no caso de Caim e Abel, Deus está vendo em primeiro lugar o valor que damos a Ele. Alguém já disse certa vez que:

“O nosso valor é medido pelo valor que damos a Deus.”

As ofertas no Antigo Testamento

O primeiro relato na Bíblia a respeito de ofertas está em Gn. 4:1-4 com os irmãos Caim e Abel. Mas temos outras referências Bíblicas a respeito das ofertas (Ex. 25:2; 35:5; Nm. 31:50; I Cr. 29:9; Ed. 8:28; Pv. 3:9; Mq. 4:13). Mas, voltando ao texto de Gênesis vemos que a oferta de Abel foi mais aceita do que a de Caim. Porque isto aconteceu? Há muitas especulações a respeito disso, mas no próprio texto citado e em Hb. 11.4 encontramos algumas indicações sobre isto. Em Gn. 4:4 diz que Abel “trouxe das primícias do seu gado”, enquanto que Caim “trouxe uma oferta ao senhor” (v. 3). Já em Hb. 11:4 diz que: “Pela Abel ofereceu a Deus um excelente sacrifício...“

Parece-nos que o que agradou a Deus foi a maneira que Abel entregou a sua oferta. Podemos para facilitar o entendimento, juntar os dois textos da seguinte forma: “E pela fé Abel também trouxe sua oferta dos primogênitos das suas ovelhas oferecendo a Deus maior sacrifício do que Caim”. Vemos então que Abel trouxe com fé, as primícias da sua oferta. A fé é o instrumento que move o coração de Deus, e o fato de ele ter trazido das primícias significa que ele priorizava a Deus. Temos alguns textos que nos mostram que a oferta deve ser tirada das primícias (Dt. 26:2; Pv. 3:9; 2 co. 9:7), e deve ser trazida com fé, pois o que não provém da fé é pecado (Rm. 14:23). Conclui-se que Caim não trouxe sua oferta com fé, principalmente pelo fato de ele ter ficado com ciúme e raiva de seu irmão.

A oferta é também um ato de louvor e adoração ao senhor, já aprendemos que Deus procura adoradores que o adorem em espírito e em verdade. Abel agiu assim, pois fez sua oferta por meio da fé. Esta é a essência da adoração.

"... O fato de ele ter trazido das primícias significa que ele priorizava a Deus."

27 de ago de 2009

Série: Família, obra prima de Deus - VI. O que devemos fazer

VI. O que devemos fazer.

Diante de tudo que estudamos, considere estas perguntas:
1) Sua família possui uma base espiritual sólida? Pode ser que sua família não tenha começado bem, com a consulta a Deus, nem esteja bem, mas nunca é tarde para buscar a base espiritual tão necessária para o seu fortalecimento. Só com o temor do Senhor – que é o princípio da sabedoria (Pv. 1:7) – se poderá construir uma família onde o respeito, o carinho e a alegria estão presentes.

2) Em sua família existe uma convivência sadia? Vale à pena considerar esta questão para checar se o cumprimento dos papeis sociais dentro do lar está acontecendo de maneira plena. Um dos fatores que muito ajudam na construção de uma família onde os seus componentes se entendem e discutem os problemas internos é o diálogo. Dialogar não é digladiar. É partilhar idéias e receber contribuições. A franqueza e interesse no sucesso dos empreendimentos familiares são importantes para o lar.

3) Os membros de sua família demonstram interesse uns pelos outros? É conhecida aquela história do médico, que foi abordado pelo filho que queria saber quanto o pai ganhava por hora de trabalho, após saber o valor, voltou com o dinheiro e perguntou ao pai se poderia atendê-lo, pois queria conversar com o ele. Parece extremada a história, mas não é impossível de acontecer. Há aquelas pessoas que têm tempo para todo mundo, menos para os que estão mais próximos. Jesus deixou-nos o mandamento de “amar ao próximo” (Mt. 22:39). Quem mais próximo do que nossos familiares? Lembremo-nos do que Paulo recomendou: "Façamos o bem a todos, mas principalmente aos domésticos da fé" (Gl. 6:10) se nossos familiares são crentes, mais do que nunca devemos zelar com carinho por eles.

Dialogar não é digladiar. É partilhar idéias e receber contribuições.

Série: Família, obra prima de Deus - V. No cuidado da família, a vontade divina

V. No cuidado da família, a vontade divina.


O exemplo de proteção familiar recebido por Moisés ilustra bem como a ação humana contribui para os propósitos divinos. Desde o nascimento, a trajetória de Moisés está cercada por fatos que evidenciam a mão de Deus intervindo ao seu favor. Moisés estava sendo preparado por Deus para uma grande missão, e coube à sua família os cuidados necessários para que esse plano fosse conduzido com perfeição. O fato de Moisés ser levado à filha de Faraó, e ser por ela adotado (v. 10), abre as portas do palácio da Egito para ele receber instrução, conhecimento e ter uma visão ampla das condições de seu povo, que lhe seriam de grande utilidade mais tarde, quando alcançado por Deus à condição de libertador de Israel.

Série: Família, obra prima de Deus - IV. Um cuidado especial com os familiares

IV. Um cuidado especial com os familiares

Chegamos agora ao aspecto mais importante de nosso estudo. Vamos examinar o texto Bíblico que trata da adoção de Moisés pela filha de Faraó (Ex. 2:1-10) e verificar o quanto de carinho e atenção foi dispensado ao menino por sua família, objetivando a sua preservação em vida.

Lembremo-nos do contexto difícil em que estavam inseridos Anrão e Joquebede, pais de Moisés. Além da situação de escravidão a que estavam sujeitos, também estavam assustados, como os outros hebreus, como o decreto do rei do Egito para as parteiras Sifrá e Puá matarem todos os filhos homens dos hebreus que nascessem (Ex. 1:15,16). Numa circunstância como essa, nasce Moisés. Pela misericórdia de Deus, sua vida e a de muitos outros meninos hebreus foram poupadas porque “as parteiras, porém, temeram a Deus e não fizeram como o rei do Egito lhes ordenara” (Ex. 1:17).

Neste primeiro momento, Moisés estava salvo. Tendo nascido, e sendo um menino muito bonito, sua mãe escondeu-o da guarda egípcia por três meses, mas como fazê-lo por mais tempo (Ex. 2:2,3) ? Esta era a grande questão que os preocupava. Nas ações tomadas pela família de Moisés, vamos perceber o cuidado, o carinho e o zelo que dedicaram ao menino. Vejamos as providências tomadas.
1) Tomaram uma decisão. Além de esconder Moisés no próprio ambiente do lar por três meses (v.2), a família tomou uma decisão importante: escondê-lo ainda mais para livrá-lo dos algozes egípcios. Os preparativos iniciais demonstram o objetivo de escondê-lo em meio aos juncos, à margem do rio (v.3). Perceba que o menino Moisés está coberto de proteção e amor. Mesmo em meio ao sofrimento de um suposto abandono, todos os esforços da família são no sentido de preservá-lo.

2) Realizaram os preparativos. Para que o pequeno Moisés estivesse bem acomodado, seria necessário um lugar especial para depositá-lo. A solução foi preparar uma arca de juncos, e os pais de Moisés fizeram isto com esmero e dedicação, tomando os cuidados necessários para que ela estivesse segura e não trouxesse perigo à vida do bebê. Diz o texto que revestiram a arca com betume e pez, que eram massas próprias para tapar junturas, dando a devida impermeabilidade à arca (v.3).

3) Providenciaram vigilância. Moisés não tinha sido abandonado. O que a sua família queria era salvá-lo da morte. Assim sendo, após colocá-lo em meio aos juncos do rio, providenciaram vigilância em torno dele. Diz o texto: “e sua irmã postou-se de longe, para saber o que lhe aconteceria” (v. 4). Bonito este gesto. Demonstra também o carinho da irmã para com o irmão mais novo. É um gesto desprendido, de renúncia e abnegação. O texto não diz que irmã era essa, mas provavelmente teria sido Miriã.

4) Intervieram na hora certa. Percebe-se, nitidamente, uma estratégia estabelecida para preservar a vida de Moisés.

Este cuidado da família – que foi extremamente importante para Moisés nas circunstâncias que envolveram o seu nascimento – transposto para os nossos dias, revela o quanto precisamos zelar pelos nossos familiares. Nas pequenas coisas do cotidiano, revelamos o quanto nos interessamos pela família. Encontrar tempo para brincar com os filhos; sentar-se com eles para ver as lições da escola; zelar por seu conhecimento da Bíblia; dedicar-lhes expressões de carinho, como: beijos, abraços, elogios e pequenas lembranças; cuidar da sua saúde; indagar de seus problemas e dificuldades, interessando-se de fato pelo outro; investir tempo na companhia da família. Estes são alguns exemplos que devem estar presentes no âmbito familiar, envolvendo todos os seus membros.

Série: Família, obra prima de Deus - III. Problemas da família

III. Problemas da família.

Pretender uma família sem problemas, um verdadeiro Céu na terra, é algo inconsistente e inconcebível. Existem problemas normais, inerentes ao próprio viver em suas diversas faces e contextos, para os quais devemos nos preparar. Mas há problemas que poderão ser evitados ou enfrentados de maneira mais eficaz se forem detectados, estudados e enfrentados com as armas de que dispomos do ponto de vista humanístico e espiritual. Vejamos alguns problemas encontrados no contexto em que viveu a família de Moisés, e outros da família moderna.

1) Problemas dos tempos de Moisés – Para uma família hebréia nos tempos de Moisés, a condição de vida não estava fácil. Todos os hebreus que habitavam as terras próximas a Gósem, no Egito, podiam ser considerados imigrantes. Gente que ali estava, no meio de um povo estranho, batalhando a sua própria existência. Mas a situação dos hebreus era ainda pior do que a de imigrantes conforme conhecemos hoje. Isto porque a condição de vida deles estava bastante deteriorada. A prosperidade verificada quando da chegada dos patriarcas (Gn. 47:26,27) incomodou tanto os súditos dos Faraós, que estes começaram a impor cargas pesadas sobre os hebreus, sujeitando-os a trabalhos escravos, chegando ao extremo de determinar o extermínio dos meninos pelas parteiras, com o fito de reduzir a população hebréia no Egito (Ex. 1:15-22). Podemos sintetizar os problemas das famílias hebréias nos tempos de Moisés no seguinte enunciado: discriminação, exploração de mão-de-obra, opressão, difícil situação socioeconômica, instabilidade, perseguições, insegurança e tentativas de extermínio.

2) Problemas dos nossos dias – À semelhança dos tempos de Moisés menino, as famílias de hoje defrontam-se com problemas diversos, que vão das questões financeiras até os problemas de caráter conjugal. O fato é que mais do que nunca satanás tem procurado atingir a família para destruí-la. Cabe a nós estarmos alerta e procurar, na dependência do Espírito, desenvolver condições especiais para que sejamos vencedores diante dos ataques do inimigo. Neste preparo, estudo Bíblico e oração não podem faltar.

Série: Família, obra prima de Deus - II. A estrutura da família

II. A estrutura da família
Quando uma família é formada, seus componentes passam a assumir novos “papéis sociais”, ou seja, as esferas de relacionamento e compromissos que cada ser humano possui que o levam a comportar-se, agir e falar seguindo determinados padrões sociais previamente estabelecidos. Assim é que o homem, ao chegar ao casamento, além de continuar a cumprir o seu papel do homem filho, irmão, amigo e profissional (neste caso dependendo da área de atuação, ele vai cumprir um papel social de líder ou de subalterno, além de colega de trabalho), vai também passar a ter o papel de marido.

O mesmo vai acontecer com a mulher, respeitando-se sua identidade sexual, que, com o casamento, assumirá o papel de esposa. Com a chegada dos filhos, ambos vão assumir novos papéis – o de pai e o de mãe – e, com a trajetória da vida, o de tio, tia, sogro, sogra, avô, avó, dentre outros.

A verdade é que nem sempre o ser humano se prepara devidamente para assumir estes papéis sociais. Vamos, em poucas considerações, falar um pouco sobre estas relações encontradas na estrutura familiar.
  • Marido e mulher – A Bíblia não omite a descrição do que Deus espera do relacionamento do casal. Várias epístolas trazem recomendações explícitas aos maridos e às mulheres, mas o texto clássico e o de Efésios 5:22-33. Neste texto, duas palavras marcam as obrigações do casal: da mulher se requer submissão (v.22); do marido, amor (v.25). Muita discussão já se empreendeu para tentar compreender que “submissão” é essa. Não é o propósito retomá-la aqui. Fiquemos, porém, com quatro conceitos:
    • submissão da mulher não tem nada a ver com opressão, manipulações e exploração;
    • quem ama não destrói física e nem emocionalmente sua mulher;
    • a tarefa do homem – amar – comparada ao “amor de Cristo para com a igreja” (v.25-33), torna o compromisso do homem muito maior;
    • se por um lado, em termos de liderança, não podemos negar que o homem tem ascendência no lar, por outro, quando ela pode ser compartilhada em função da especialidade de cada um, a gestão familiar flui melhor.
  • Pais e filhos – Novamente vamos encontrar dentro da estrutura familiar uma relação em que o quesito autoridade é preponderante. Vamos também verificar que a liderança exercida pelos pais sobre os filhos não deve ser opressiva, cerceadora manipuladora. Muitos pais precisam aprender a respeitar a individualidade dos filhos. O que se verifica, porém, são alguns pais que oprimem e reprimem tanto seus filhos que quase os despersonalizam, tornando-os borrões de si mesmos malformados e inseguros. Paulo recomenda: “E vós, pais, não provoqueis à ira vossos filhos, mas criai-os na disciplina e admoestação do Senhor” (Ef. 6:4). Por outro lado, como Paulo recomenda não se deve descuidar em relação à disciplina. Muitos pais crentes, infelizmente, abandonaram a disciplina e por isso estão colhendo frutos amargos.
  • Filhos e pais – Os filhos devem ser obedientes aos pais. A recomendação de Paulo é: “vós filhos sede obedientes aos vossos pais no Senhor, porque isto é justo” (Ef. 6:1). E como os filhos crentes devem cumprir este mandamento quando seus pais não temem ao Senhor? A expressão “no Senhor” define isto. Não é para os filhos submeterem-se a atrocidades, heresias e desmandos de pais desmiolados. A dependência de Deus vai orientar a agir em situações como estas.

24 de ago de 2009

Série: Família, obra prima de Deus

I. A origem da família.

Um dos princípios básicos que temos é que a família − célula-mater da sociedade – é instituição divina. Qualquer conceituação sobre família que não esteja alicerçada numa origem divina desloca o seu foco do aspecto mais importante, que é o espiritual.

A narrativa Bíblica sobre a formação da primeira família nos fornece alguns elementos importantes acerca da sua constituição:

1) Foi Deus quem instituiu a primeira família. Mais do criar o homem e a mulher (Gn. 1:27), Deus os fez um para o outro, e isto, a partir da necessidade de achar companhia para o homem: “Não é bom que o homem esteja só” (Gn. 2:18). Neste processo, vamos perceber que, após formar a mulher, Deus a apresentou a Adão como sua companheira (Gn. 2:22). Aqui está presente a ação divina em prol da família. Todo casal que pretender constituir uma família vitoriosa precisa seguir este modelo, ou seja, ter a participação de Deus.

2) O sistema de convivência do casal é um sistema de parceria. Vivemos numa sociedade machista em que os homens têm maltratado, explorado e humilhado as mulheres. Isto nunca fez parte do projeto de Deus para a família. O próprio fato de Deus ter tomado uma costela do homem para dela formar a mulher (Gn. 2:21), se por um lado revela que a hierarquia divina prevê uma liderança do homem (Ef. 5:22-33), por outro demonstra que o objetivo primordial é o bem comum. Fosse de outra maneira, Deus não consideraria a mulher uma “ajudadora” do homem (Gn. 2:18). O sistema de parceria é aquele em que as partes trabalham unindo forças em prol de uma causa comum. Assim deve ser o relacionamento na família.

3) O roteiro de Deus para a formação da família. Três verbos empregados em Gênesis 2:24 nos fornecem os passos para a constituição da família conforme os planos de Deus: 1°) Deixar. Ambos, homem e mulher, precisam deixar os pais para formar o lar. A perpetuação desses vínculos muitas vezes tem sido nociva para as famílias jovens. 2°) Unir. O passo seguinte é a união, o casamento propriamente dito. 3°) Tornar-se. Esta etapa diz respeito à comunhão mais íntima da relação conjugal, que é o ato sexual. “Tornar-se uma só carne” faz referência à nova realidade que a soma das partes faz com o casamento.

Qualquer conceituação sobre família que não esteja alicerçada numa origem divina desloca o seu foco do aspecto mais importante, que é o espiritual.

19 de ago de 2009

Podemos conhecer Deus?

Certa vez, num programa de televisão, foi apresentada uma velhinha com 120 anos de idade. Quando o apresentador lhe perguntou qual era o grande desejo de sua vida, ela respondeu: "Ver Deus". Não queria prolongamento da vida, não queria uma casa, não queria dinheiro. Ela somente queria ver Deus. Este é um dos fortes desejos do ser humano. Desde sua origem, o ser humano vem buscando conhecer Deus. O apóstolo Paulo falou aos atenienses a respeito de andarem tateando sem achar a Deus, embora ele estivesse perto (Atos 17.27). Por causa desse anseio, o mundo encheu-se de religiões que resultaram do esforço humano para conhecer Deus. Moisés quando Deus lhe dava a revelação da lei no Monte Horebe, disse a Deus que queria vê-lo: "Rogo-te que me mostres a tua glória" (Exôdo 33.18).

O salmista diz que suspira por Deus assim como os cervos suspiram por água (Salmos 42.1,2); e diz em outro salmo: "Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra de suas mãos" (Salmos 19.1).

Podemos conhecer Deus?
O primeiro astronauta russo, que foi ao espaço, relatou à imprensa: "Fui ao espaço e não vi Deus". Claro. Deus não pode ser visto por olhos humanos, e muito menos está no espaço à disposição de ateus arrogantes que mal deram um pequenino salto para fora da casca de seu planeta, esquecidos, talvez, de que o universo é infinito. Um cientista disse, certa vez: "Tenho dissecado cadáveres e examinado matéria orgânica em meu microscópio, e nunca vi o menor indício nem de alma nem de Deus". Este também se encaixa no que a Bíblia diz: "Disse o néscio em seu coração: Não há Deus" (Salmo 14.1). Como se poderia ver Deus ou almas num microscópio, ou ver Deus em poderosos telescópios? Pode-se, porventura, ver num desses instrumentos a força magnética? Entretanto ela existe e nós a conhecemos por causa de sua manifestação.

Nós podemos, sim, conhecer Deus. Ele existe. Ele nos criou, e se interessou em se tornar conhecido de sua criação, porque nos criou para sua glória, para termos comunhão com ele. Podemos conhecer Deus, porque ele se revelou. Mas, para conhecê-lo, temos que lançar mão de recursos apropriados.

Pode-se, porventura, ver num desses instrumentos a força magnética? Entretanto ela existe e nós a conhecemos por causa de sua manifestação.

Por: Delcyr de Souza Lima
Em: Capacitação Cristã - Introdução à Bíblia - JUERP

A revelação já se completou

A revelação de Deus não continuou após o encerramento do Novo Testamento, e nem continua acontecendo nos dias atuais. Jesus revelou a João as coisas que eram e as que haviam de acontecer e encerrou o livro com palavras que denotam o encerramento da própria revelação (Apocalipse 22.18-20). Deus nos revelou tudo quanto, em sua sabedoria e em seus propósitos, julgou necessário. agora, o Espírito Santo que nos foi dado e que em nós habita é quem no guia em toda a verdade revelada, na medida em que lemos, ouvimos, estudamos e oramos. criar doutrina e normas de comportamento alegando sonhos, visões e vozes, representa perigoso afastamento da verdade revelada, contida nas Escrituras.

O agente de toda a revelação é o Espírito Santo, como diz o apóstolo Pedro:
"Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homens, mas os homens da parte de Deus falaram movidos pelo Espírito Santo." (2° Pedro 1.21)

Por isso, podemos confiar inteiramente na Palavra de Deus. Por outro lado, devemos rejeitar pronta e corajosamente todas as invenções de homens fraudulentos ou sem entendimento da Palavra com as quais se desviam e fazem outros se desviarem da verdade. A incapacidade ou falta de seriedade na interpretação e uso da Bíblia pode favorecer a criação de movimentos heréticos e prestigiar e fortalecer modismos religiosos que, embora ostentando título de evangélicos, são perniciosos aos propósitos de Deus.

Toda a nossa fé origina-se da certeza que temos de que Deus se revelou ao homem, e de que a Bíblia é o fiel registro de sua revelação.

Por: Delcyr de Souza Lima
Em: Capacitação Cristã - Introdução à Bíblia - JUERP

Objeções à crença na revelação

As várias objeções à crença na revelação de Deus podem ser agrupadas em três tipos de objeções:

1. Objeção do agnosticismo
"O agnosticismo não afirma nem nega a realidade de Deus, mas nega que Deus possa se comunicar conosco. O absoluto e infinito está tão retirado dos homens - dizem os agnosticos - que não pode dar-se a conhecer a eles" (Mullins, E. Y., La Religión Cristina em su Expressión Doctrinal, CBP, El Paso, Texas, USA, p. 140). O Agnosticismo não é nenhum sistema apoiado em qualquer teoria científica. É apenas um processo subversivo que distorce tudo, que não reconhece a coerência do mundo, que não reconhece que o homem tem poderes de personalidade semelhantes aos de Deus, que lhe possibilitam receber a entender a sua manifestação.

2. Objeção panteísta
Panteísmo é a concepção filosófica que não reconhece a realidade de Deus como ser distinto, diferente e separado do mundo tangível. Ensina que Deus é imanente em todas as coisas. Ao contrário dessa filosofia, toda a revelação nas Escrituras baseia-se na concepção de um Deus pessoal, distinto do universo e a ele superior, ao qual ele criou e governa. Deus existe em si mesmo, e tem consciência de si próprio e do mundo exterior que ele criou. Pode, portanto, se revelar à sua criatura, que ele fez inteligente, à sua imagem e semelhança.

3. Objeção das religiões naturais ou filosóficas
Essas religiões ensinam que a divindade faz parte da própria natureza do homem, e que o homem a descobriu em si mesmo pela razão ou iluminação própria. A característica fundamental dessas religiões é o misticismo. O misticismo é um fenômeno religioso e psicológico que incita as pessoas a desprezarem toda possibilidade de revelação objetiva, ou que vem de fora, e a procurarem Deus em si mesmas, em sua própria natureza, em seu mundo interior. Tendo sido incorporado a movimentos religiosos evangélicos, tem contribuído para desvalorização da Bíblia como registro da revelação de Deus para dar lugar a sonhos, visões e vozes. A autoridade da Bíblia é substituída por pretensas experiências pessoais e isto ocasiona sérios desvios de doutrina e de comportamento.

Deus existe em si mesmo, e tem consciência de si próprio e do mundo exterior que ele criou. Pode, portanto, se revelar à sua criatura, que ele fez inteligente, à sua imagem e semelhança.

Por: Delcyr de Souza Lima
Em: Capacitação Cristã - Introdução à Bíblia - JUERP

18 de ago de 2009

Maneiras de Deus se revelar

O autor da carta aos Hebreus referiu-se ao fato de Deus haver se manifestado "muitas vezes e de muitas maneiras aos pais, pelos profetas". Podemos mencionar algumas dessas maneiras registradas na Bíblia:

1) Aparecendo e falando pessoalmente
Deus falava com Adão e Eva diariamente, no Éden (Gênesis 2.15 a 4.15); Deus fechou a porta da arca (Gênesis 7.16); visitou Abrãao e a Ló, seu sobrinho, e operou em presença deles atos normais de homens, como alimentar-se e conversar (Gênesis 18. e 19); lutou em forma de homem com Jacó (Gênesis 32.24); fez passar diante de Moisés sua bondade, aparecendo-lhe em forma humana pelas costas, porque se Moisés visse seu rosto morreria (Exôdo 33.18-23).

2) Por meio de visões
Como, por exemplo, quando se revelou a Moisés em Midiã, na sarça ardente, e o mandou ao Egito para libertar seu povo (Exôdo 3); quando comissionou a Isaías para pregar ao povo de Israel (Isaías 6); mais os casos do profeta Ezequiel, do rei Nabucodonosor e do apóstolo João na ilha de Patmos.

3) Falando por meio de sonhos
Ou falando por voz audível, como foi o caso da chamada de Samuel (1° Samuel 3).

4) Por meio da pessoa de Jesus Cristo
Usando os profetas como instrumentos de sua revelação, Deus foi-se revelando, através da história do povo hebreu, até que, na plenitude dos tempos (Galátas 4.4), revelou-se na pessoa do próprio Filho Unigênito, cuja vida, milagres e ensinamentos foram registrados pelos discípulos e transmitidos aos que iam se convertendo e formando igrejas por todo o mundo.

Por: Delcyr de Souza Lima
Em: Capacitação Cristã - Introdução à Bíblia - JUERP

A revelação de Deus

Toda a nossa fé, tanto sob o aspecto de convicção individual no evangelho, como sob o aspecto de sistema de doutrinas em que cremos, origina-se da certeza que temos de que Deus se revelou ao homem, e de que a Bíblia é o fiel registro de sua revelação.

Que é revelação?
"Etimologicamente, revelação é toda e qualquer manifestação do que está oculto. Em sentido religioso, revelação é a manifestação do oculto feita por um poder superior, concretamente Deus. A revelação implica alguém que se manifesta e alguém que recebe a manifestaçaõ da verdade manifestada" (Brugger, Dicionário de Filosofia, Editora Pedagógica e Universitária, S. Paulo, p. 363).

Na revelação bíblica, a pessoa que se manifesta, estando oculta, é Deus; e as pessoas que receberam sua manifestação foram, no Antigo Testamento, os profetas, e no Novo Testamento, os discípulos de Jesus, marcadamente os apóstolos. Todos, tanto os do Antigo Testamento como os do Novo, no dizer do apóstolo Pedro eram homens santos, escolhidos por Deus (2° Pedro 1.21). Quanto à verdade revelada, é o acúmulo de tudo quanto ficou registrado nas Escrituras a respeito de Deus e de sua atuação para cumprimento de seus desígnios. A pessoa que se destaca, no Novo Testamento, como a pessoa que tem a primazia na revelação, é Jesus Cristo, que é o próprio Deus que se fez carne. Ele é chamado de "Emanuel" que significa "Deus conosco" (Isaías 7.14; Mateus 1.23), e, no dizer do apóstolo Paulo, "é a imagem do Deus invisível" (1° Corintíos 1.15).

A revelação cristã é a revelação que Deus fez por meio do Filho, Jesus Cristo, e, pela inspiração do Espírito Santo, por intermédio dos seus discípulos, os quais primeiro transmitiram oralmente o que tinham visto e ouvido, para edificação das igrejas que iam se formando e, depois, passaram a escrever para orientação das igrejas, O apóstolo João destaca este assunto ao escrever: "O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que temos contemplado, e as nossas mãos tocaram da Palavra da Vida (porque a vida foi manifestada, e nós a vimos, e testificamos dela, e vos anunciamos a vida eterna, que estava com o Pai, e nos foi manifestada); o que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos, para que também tenhais comunhão conosco; e a nossa comunhão com o Pai, e com seu Filho Jesus Cristo. Esta coisas vos escrevemos, para que o vosso gozo se cumpra" (1° João 1.1-4).

Toda a nossa fé, tanto sob o aspecto de convicção individual no evangelho, como sob o aspecto de sistema de doutrinas em que cremos, origina-se da certeza que temos de que Deus se revelou ao homem, e de que a Bíblia é o fiel registro de sua revelação.

Por: Delcyr de Souza Lima
Em: Capacitação Cristã - Introdução à Bíblia - JUERP

A Bíblia ensina que Deus se revelou

"O homem foi feito à imagem de Deus e, portanto, sendo um ser intelectual, moral e imortal, é a coisa mais natural esperar que o Criador sustente relações pessoais com aqueles que criou à sua própria imagem. Também é de se esperar que Deus mantenha comunicação pessoal com os homens" (G. H. Lacy, Introducion a la teologia Sistemática, Casa Bautista de Publicaciones, El Passo, Texas). Em Hebreus capítulo 1 versículo 1, lemos: "Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho".

Este versículo nos ensina três verdades a respeito da revelação:
  1. Deus desenvolveu um processo de revelação de si mesmo ao longo da história;
  2. Que Deus se valeu de diferentes modos para se revelar;
  3. Que Deus completou, culminou sua revelação na pessoa de Jesus Cristo, seu Filho eterno.
Assim sendo, para conhecermos Deus precisamos crer que ele existe, crer que ele se revelou, crer que Jesus é o seu filho, e que veio como revelação final de Deus. Além disso, é preciso crer que a Bíblia é o registro desta revelação que durou vários séculos.

É claro que existe o conhecimento interior de Deus, porque desde que o Espírito Santo passa a habitar na pessoa que crê em Jesus como Filho de Deus, se arrepende e o confessa como Senhor e Salvador, a convivência com o próprio Deus se torna real e consciente. Mas isso é resultado da fé na revelação exterior, na revelação que foi registrada na Escrituras Sagradas. O apóstolo Paulo diz que "a fé vem pelo ouvir e o ouvir pela Palavra de Deus" (Romanos 10.17). Primeiro, o homem toma conhecimento das informações a respeito de Deus, que ele mesmo transmitiu aos homens santos que escolheu para sua revelação (1° Pedro 1.21); e, finalmente, ao ser regenerado mediante a fé em Jesus, passa a conhecer Deus por esperiência interior. João diz que "... quem crê no Filho de Deus em si mesmo tem o testemunho" (1° João 5.10a).

Assim sendo, para conhecermos Deus precisamos crer que ele existe, crer que ele se revelou, crer que Jesus é o seu filho, e que veio como revelação final de Deus. Além disso, é preciso crer que a Bíblia é o registro desta revelação que durou vários séculos.

Por: Delcyr de Souza Lima
Em: Capacitação Cristã - Introdução à Bíblia - JUERP

17 de ago de 2009

Igreja

A palavra IGREJA, em português, deriva do latim. ECCLESIA, AE, que por sua vez, é uma transliteração, para o latim, da palavra grega ekklesia, composta da preposição ek (ex) que rege o genitivo e tem a idéia de "saída de emissão para fora, separação de" (Thayer) com o verbo kaleo, "chamar, convocar em alta voz". No grego clássico, designa a "reunião formal dos cidadãos da polis (cidade), convocados de seus lares para uma assembléia pública". Nunca dá a idéia de sair para fora da cidade ou de eximir-se da condição de cidadão.

No Antigo Testamento em grego (Septuaginta), 96 vezes ekklesia traduz a palavra hebraica qahal, povo, quando se refere a Israel como uma assembléia.

No Novo Testamento, a palavra ekklesia figura vezes, tanto no singular como no plural. Três vezes tem o sentido secular de multidão (Atos 19.32,39,41). Duas vezes refere-se a Israel traduzida por "congregação" (Atos 7.38 e Hebreus 2,12). 85 vezes (74% do total) refere-se à Igreja como uma comunidade local e nas demais vezes tem um significado apenas conceitual, podendo referir-se a qualquer Igreja local em particular, jamais como sentido de uma estrutura nacional ou mundial. Nos Evangelhos, aparece somente três vezes, todas em Mateus (16.18 e 18.17).

16 de ago de 2009

O governo da Igreja

A Igreja existe em dois níveis. Um deles é um organismo eterno, invisível, bíblico, que é consilidado em um corpo pelo Espírito Santo. O outro nível é o da organização institucional temporal, histórica, visível, humana. O primeiro é o fim, o segundo o meio.

O desenvolvimento da Igreja como organização foi feito pelos apóstolos, sob a direção do Espírito Santo. Todo corpo organizado precisa de uma liderança e, quanto mais cresce, maior é a necessidade de divisão de funções e a especialização da liderança para que ele possa fucionar eficientemente. Uma liturgia para conduzir o culto da igreja de modo ordenado (1° coríntios 14.40) é outra consequencia lógica do crescimento da igreja como organização. O objetivo final da Igreja como um organismo que cultua é a conquista da qualidade de vida. Assim, o cristão faz parte de um organismo e de uma organização.


O governo da Igreja
A origem da administração eclesiástica deve ser creditada a Cristo, porque ele escolheu os 12 apóstolos que seriam os líderes da Igreja nascente. Os apóstolos tomaram a iniciativa da criação de outros cargos na Igreja quando dirigidos pelo Espírito Santo. Isso não implica uma hierarquia piramidal, como a desenvolvida pela Igreja Católica Romana, porque os novos oficiais deviam ser escolhidos pelo povo, ordenados pelos apóstolos e precisavam ter qualificações espirituais próprias que envolviam a subordinação ao Espírito Santo. Assim, havia uma chamada interna pelo Espírito Santo para o ofício pelos apóstolos. Não deveria haver uma classe especial de sacerdotes à parte para ministrar um sistema sacerdotal de salvação, porque tanto os oficiais da igreja como os membros eram sacerdotes com o direito de acesso direto a Deus através de cristo (Efésios 2.18).

Esses oficiais podem ser divididos em duas classes. Os oficiais carismáticos (charisma em grego significa dom) foram escolhidos por cristo e dotado de dons espirituais próprios (Efésios 4.11,12; 1° Coríntios 12-14). Suas funções eram basicamente inspiradoras. Os oficiais administrativos constituiam a segunda classe. Suas funções eram principalmente administrativas, embora após a morte dos apóstolos, os presbíteros tenham assumido muitas responsabilidades espirituais. Esses oficiais eram escolhidos pela congregação depois de orarem pedindo a orientação do Espírito Santo e depois da indicação pelos apóstolos.

Não deveria haver uma classe especial de sacerdotes à parte para ministrar um sistema sacerdotal de salvação, porque tanto os oficiais da igreja como os membros eram sacerdotes com o direito de acesso direto a Deus através de cristo

Bibliografia: O Cristianismo Através dos Séculos - Earle E. Cairns - Edições Vida Nova

Quanto vale uma bênção?

Prosperidade da teologia, ou teologia da prosperidade?

 

O caratér de Cristo

A Bíblia dá algumas indicações sobre a personalidade e o caratér de cristo. Até mesmo uma leitura superficial dos Evangelhos Evidencia o poder de sua originalidade. Enquanto os judeus e as autoridades de hoje citam outros como sendo as fontes da autoridade de suas afirmações, Cristo simplesmente dizia: "Eu vos digo". As declarações feitas após essa expressão ou outras semelhantes a ela nos Evangelhos indicam a criatividade e originalidade do pensamento de Cristo, que maravilhou as pessoas do seu tempo (Marcos 1.22; Lucas 4.32).

A sinceridade de Cristo também se destaca nos relatos bíblicos. Ele foi o único ser humano que não tinha nada para esconder, e assim podia ser completamente autêntico (João 8.46).

Os Evanglehos deixam também o registro do equilíbrio de seu caratér. Coragem  é geralmente atribuído a Pedro, amor, a João, e humildade, a André. Mas nenhum aspecto de caratér sobressai em cristo; ao contrário, os relatos revelam equilíbrio e integridade de personalidade. Esse equilíbrio, essa originalidade e essa transparência só podem ser adequadamente explicados pelo registro histórico do nascimento virginal de Cristo.

Bibliografia: O Cristianismo Através dos Séculos - Earle E. Cairns - Vida Nova

15 de ago de 2009

Ratinho pagará R$ 120 mil de indenização a deficiente físico que foi curado em culto

Carlos Roberto Massa, mais conhecido por Ratinho, foi condenado pelo Tribunal de Justiça de Goiás a pagar uma indenização de R$ 120 mil ao deficiente físico Marcos Juliano da Penha. Segundo o Superior Tribunal de Justiça, em julho de 2000 o apresentador veiculou em seu programa no SBT imagens de Marcos em uma igreja e afirmou que o homem era um “falso aleijado”.

O programa, na época, queria denunciar uma onda de charlatanismo que ocorria no país, com a proliferação dos cultos destinados a curar deficientes físicos. O tiro, no entanto, saiu pela culatra. Marcos, que provou ser portador de uma doença degenerativa na coluna, afirmou ter buscado o auxílio da igreja para aliviar seu sofrimento. No programa, as imagens foram exibidas com a seguinte chamada: “Ex-mulher desmascara falso aleijado curado pelo pastor”.

A defesa do apresentador alegou que o programa era de conteúdo jornalístico e, condenada, chegou a tentar a revisão da indenização para um valor mais razoável. Ratinho afirmou que uma senhora procurou o programa com as imagens, afirmando se tratar de seu ex-marido que se fingia de doente para levar vantagem.

O magistrado do tribunal estadual, que anunciou a sentença, afirmou que Ratinho falhou em não apurar os fatos.

Fonte:
Diário da manhã
Via: http://www.overbo.com.br

A lei da liberdade

Temos vivido um período de crescimento significativo no meio evangélico, muitos artistas estão abandonando(?) os palcos para servir a Cristo. Quem antes enganava agora prega(?). O nome de Jesus esta sendo anunciado. O povo esta "levantando" as mãos para Cristo, as igrejas estão super lotadas. Os jovens que antes saíam da igreja, porque, antes, sendo eles da igreja não podiam fazer nada, agora já podem louvar a Deus e ouvir um pagodinho, ou um funk, se antes só podiam namorar jovens da mocidade - isso quando tinha algum jovem - agora namoram, ou melhor, "ficam" com qualquer um(a). Até os filhos de pastores que antes serviam de exemplo - ainda que aos trancos e barrancos - para os demais jovens, agora andam fazendo o que querem, pois de que adianta o pastor ganhar o mundo inteiro e perder seus filhos?, com isso os pastores não cobram mais seus filhos para que eles não saiam da igreja. Sem falar em outras coisas que têm acontecido em nossos dias e nem de longe se parece com a realidade cristã que a Bíblia apresenta. Pelo contrário, qualquer um que estude a Bíblia Sagrada, ficará no mínimo chocado ao comparar a realidade bíblica e a realidade atual. Como bem diz um grande homem de Deus:  

"Vocês vão 'entrar em parafuso', porque o que tem acontecido nas igrejas hoje em dia não tem nada a ver com o que a Bíblia diz. Mas isso não deve servir para afastar vocês, pelo contrário, deve servir para ensinar vocês a como se comportar."

Vejo nesta situação dois extremos: antigamente não se podia fazer nada, até já ouvi dizer que o crente não podia ter moto, pois era coisa do diabo; hoje a coisa é diferente: pode tudo. É tanto extremo em algumas igrejas quando o culto acaba os irmãos juntam os bancos e aproveitam o "salão" para jogar um futebol, em outras, usam o púlpito como ringue de vale tudo. Como vemos, são dois extremos perigosos, quando na verdade o crente deve buscar o equilibrio, tal qual a Bíblia ensina.

Bem, no meio disto tudo o povo segue declarando que serve a Deus, a despeito de fazer mais sua própria vontade do que a vontade d'Ele. E para fazermos um paralelo, cito o exemplo do empregado que busca satisfazer as exigências do seu patrão, para não perder seu emprego. Cito ainda o exemplo do cônjuge que busca agradar seu parceiro, pois o ama e faz questão de manifestar isso. Só que na igreja é diferente, ou melhor, têm sido diferente, na igreja, os crentes - servos - que deveriam cumprir a vontade de seu Senhor, realizam, na verdade, suas próprias vontades. Junto é claro, com as vontades do pastor e da liderança eclesiástica..., muitas vezes buscando cargos e posição de destaque. Não estou me referindo à obediência ou submissão da qual fala o escritor aos Hebreus no capítulo 13, verso 17 de sua epístola, realmente devemos honrar nossos pastores e líderes, isso com muito amor. Refiro-me ao fato de alguns priorizarem mais as vontades dos homens em detrimento da vontade de Deus. Isso não é correto!

Devemos como servos - escravos - de Deus, submeter nossas vontades a vontade de Deus, isso tudo por amor, pois apesar de Deus ser nosso Senhor, Ele não quer robôs, mas homens e mulheres que - por amor - abrem mão de suas vontades para agradar seu Mestre. Na verdade este assunto soa como um paradoxo, pois um escravo geralmente busca a liberdade, mas nós não. Nós, apesar de escravos, ainda assim somos livres. Podemos dizer que Deus nos concede a liberdade de escolha para que escolhamos a sua liberdade em Jesus Cristo, que quer dizer: "obediência a sua vontade por amor". Somos livres para sermos libertos.

Por falar na "lei da liberdade" certo médico cristão de Londres, ilustrou-a através de uma interessante experiência: Ele recebeu de presente um magnífico cão de raça, e costumava a princípio levá-lo para passear todas as tardes, preso por uma corrente. Isto continuou por algumas semanas, até o cão se acostumar com ele. Então um dia, saíram sem a corrente. Logo que o cão se achou na rua, sem a "lei da corrente" para segurá-lo, correu com grandes saltos, para longe. Parecia que fugiria para sempre, porém, tal não sucedeu. Em seguida voltou e, muito satisfeito acompanhou o seu dono submisso a sua direção. Uma lei mais forte do que a corrente o prendia agora: era a lei da amizade e do amor. Não queria mais se afastar do seu dono a quem amava.

Dizia então, esse crente que havia em Londres três classes de cachorros: os cachorros vagabundos, que tinham liberdade sem lei; os cachorros presos por correntes, que tinham lei sem liberdade; e os cachorros presos pelo amor, com a "lei da liberdade", que podiam, mas não queriam fugir.

Querido irmão, nós devemos compreender esta verdade magnífica, e ao invés de nos prendermos a "correntes" de homens, que só servem para nos machucar e nos afastar de Deus, ou de andarmos completamente "livres" cumprindo apenas nossas vontades em detrimento da vontade de Deus. Devemos servir a Deus por amor, buscando conhecê-Lo cada vez mais através de Sua Palavra, sem se deixar levar por modimos e doutrinas de demônios (1° Timóteo 4.1), ensinadas por homens que não tem qualquer compromisso com Deus, antes, querem apenas se aproveitar da ignorância do povo.

Em Cristo
Maxmiler Freitas.

13 de ago de 2009

A Unidade da Igreja

"A túnica, porém, tecida de alto a baixo, não tinha costura. Disseram, pois (os soldados) uns aos outros: Não a rasguemos" (João 16.23,24).

Os carrascos que crucificaram Jesus não ousaram dividir sua túnica, toda tecida de alto a baixo sem costuras, mas muitos cristãos têm dividido, não apenas a túnica, porém o próprio Corpo de Cristo, a sua Igreja. Aconteceu em Corinto (1° Coríntios 1.10-13; 3.1-3). Paulo pergunta: "Está Cristo dividido?" O verbo usado, merizo, dividir em partes, está na forma intensiva memerizo - repartir, ou seja, considerar cada parte como se fosse o todo desconsiderando o valor das outras partes. A pergunta de Paulo é retórica e só pode comportar respostas negativas: Absolutamente, Cristo não está dividido. Do mesmo modo a Igreja, corpo de Cristo, não pode estar dividida. Quando nos referimos à túnica inconsútil, estamos querendo dizer que Jesus deixou para a sua Igreja uma doutrina sem os remendos do judaísmo, sem retalhos da filosofia grega, sem quaisquer fragmentos do politeísmo romano. E que hoje devemos manter a túnica de Cristo isenta de remendos de doutrinas dos homens,
uma túnica inconsútil.

O retrato da Igreja do sonho de Jesus está em Atos 2.44: "E todos os que criam estavam unidos e tinham tudo em comum". Uma Igreja unida, não apenas reunida no mesmo lugar, recebe o poder do Espírito (Atos 2.1), tem paz, é edificada e se multiplica (Atos 9.31). Jesus sonhou com uma Igreja unida na perfeição do seu amor para glorificar o Pai em espírito e para expandir o seu Reino.

Bibliografia: Capacitação Cristã - Eclesiologia, a Doutrina da Igreja - JUERP

O mar pode virar deserto

Por Michel Gawendo, de Israel

A partir dos próximos meses, os mais de 7 milhões de habitantes de Israel poderão levar um susto ao receber a conta de água: a multa para quem abusar do consumo pode passar do equivalente a R$ 50 por mês. O país vive a pior seca da história e as previsões para o futuro próximo não são boas.

O lago conhecido como Mar da Galileia, de 165 quilômetros quadrados e que fornece 30% da água potável do país, está cinco metros abaixo do nível normal e à beira de esgotar sua capacidade de abastecimento. O local, conhecido no mundo inteiro pelas citações bíblicas, está secando. Já apareceram “ilhas” perto das margens, que agora estão a dezenas de metros da linha natural.

Os níveis de chuva no último inverno, que na região vai de janeiro a março, não chegaram à metade das quantidades normais. O aquecimento global provocou recordes de temperatura nos meses de abril e maio, o que piorou o quadro, já que parte da água armazenada em reservatórios evaporou.

A situação começou a ficar grave há 3 anos. Três invernos sem chuvas suficientes para encher os rios que alimentam o Mar da Galileia agravaram a crise. No Oriente Médio, não chove no verão e a região conta apenas com 2 ou 3 meses molhados. A seca também afeta o comércio de água mineral. As duas maiores empresas do país, que retiram água das montanhas da Judeia e do Golã, já informaram que a baixa dos níveis nas fontes pode contaminar o produto devido à concentração de minerais. Centenas de plantações já foram destruídas por falta de irrigação.

Para lidar com este cenário, o governo israelense tomou medidas drásticas, como a multa. A partir deste ano, a população está proibida de regar jardins de casas particulares. Quem for pego vai pagar caro. Além disso, famílias que usarem mais água do que a média de consumo residencial serão multadas em valores equivalentes a R$ 50 por mês.

A população está orientada a economizar. Uma propaganda na tevê mostra artistas famosos apelando pela economia de água. Para ilustrar a seca, um efeito de computador mostra a pele deles secando.

E o governo também promete fazer sua parte: a irrigação de parques públicos será reduzida ao mínimo necessário. Agentes vão distribuir aparelhos que alteram a pressão da água. O Ministério da Agricultura tem planos de construção imediata de usinas de dessalinização, que tiram o sal da água do mar para torná-la potável. Mas são projetos caros e demorados. No Oriente Médio, onde grande parte do território é desértico, a água tem grande valor. As poucas fontes de água são os rios que correm por terriotórios entre Líbano, Israel e Síria, países que estão em constantes conflitos. Segundo as previsões, a situação da água na região não vai melhorar pelo menos até 2014, o que coloca em risco tanto economias como processos de paz.

Fonte: Folha Universal
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Leitura recomendada: Seca do grande Rio Eufrates

11 de ago de 2009

Aonde eles irão parar deste jeito?

Realmente eu não sei aonde esses homens vão parar.

Falo de homens que foram chamados por Deus para anunciar o Evangelho de Cristo, mas estão preferindo pregar a tal teologia da prosperidade, como é o caso do pastor Silas Malafaia, que resolveu pedir uma oferta "voluntária" de R$ 900.00, e como forma de agradecimento ele daria uma Bíblia de batalha espiritual e vitória financeira a quem lhe enviasse tal oferta. Este caso repercutiu de forma extraordinária na internet, principalmente nos blogs. Todos estão muito preocupados com a atitude do pastor Silas, que outrora defendia com muito fervor a fé, mas agora parece que está mais preocupado em defender seu patrimônio.

Graças à Deus a grande maioria dos crentes preza pela Palavra de Deus e não apóia estas heresias.

Muitos homens brincam com a Verdade, esses dias em um culto na igreja onde congrego, o pregador relatou algo que me deixou perplexo. Bem, ele contou que um pastor fez uma campanha em sua igreja, só que não era campanha de jejum e oração não. O que o pastor fez foi encher o batistério da igreja de corante vermelho, e entregar aos membros de sua igreja uma vara, os membros, por sua vez, deveriam voltar à igreja no próximo culto e todos eles passariam pelas águas vermelhas daquele batistério tingido. Mas isso ainda é "galho fraco" diante do que veio depois, é, pois os membros deveriam trazer uma boa oferta para que a vara - mandinga - funcionasse. Não sei se o batistério se abriu, e tão pouco, se havia chuveiro para o pessoal tirar o corante do corpo, só sei que estes homens estão brincando com Fogo, e se não se arrependerem serão condenados ao inferno.

Não posso deixar de manifestar o meu pensamento em relação aos crentes que participam de campanhas deste tipo, na verdade, eles não são coitadinhos que estão sendo enganados,  reconheço que existem muitos neófitos sendo enganados por estes falsos pastores, mas na grande maioria dos casos os crentes que aderem a este tipo de campanha são crentes que conhecem a verdade. NÓS TEMOS A BÍBLIA SAGRADA, e ela condena ações deste tipo. Não se engane. Pode ser o pastor que for, se o ensinamento dele e contrário a Bíblia Sagrada, fuja dele! Nem tente persuadi-lo, apenas ore na expectativa de Deus lhe conceder arrependimento (2° Timóteo 2.25).

No mais, sigamos o conselho do apóstolo Paulo: "Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema. Assim, como já dissemos, e agora repito, se alguém vos prega evangelho que vá além daquele que recebestes, seja anátema." (Galátas 1.8,9).

10 de ago de 2009

O Novo Mandamento

"Filinhos, ainda por um pouco estou convosco; procurar-me-eis e, como eu disse aos judeus, também vos digo agora: Para onde eu vou, não podeis vós ir. Um novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vós vos ameis uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros." (João 13.33-35)

Jesus já havia confirmado os dois mandamentos que resumem toda a Lei e os Profetas: "Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de todas as tuas forças; e ao teu próximo como a ti mesmo" (Marcos 12.30). O Novo Mandamento é uma ampliação deste amor: antes eu precisava amar o meu próximo como a mim mesmo. Agora devo amar o meu semelhante como Ele me ama. E Ele me ama muito mais do que eu mesmo me amo. Apesar de eu ser mau e não merecer, Ele consegue ver alguma coisa boa em mim para me amar. Do mesmo modo, Ele consegue amar até a pessoa mais abjeta e revoltante que existe na face da terra. E se Ele ama tal pessoa, quem sou eu para odiá-la? Se eu odiar uma pessoa ruim que Ele ama, então eu estarei sendo inimigo de uma pessoa amada por Deus. Em última análise, serei adversário do meu semelhante e inimigo do próprio Deus!

Bibliografia: O Evangelho Reunido - Juanribe Pagliarin

Carta dos cristãos de Lyon

O Texto abaixo é uma carta dos cristãos de Lyon, na Gália (Atual França), aos seus irmãos da Ásia Menor, escrita em 177 d.C.

O diácono Sanctus sofria com força sobre-humana todos os suplícios que os carrascos podiam inventar... A todas as perguntas ele respondia em latim: Eu sou cristão. Não se conseguiu arrancar dele nenhuma outra resposta. Isso bastou para provocar a fúria do procônsul e dos carrascos: não tendo mais outro tormento à sua disposíção, aplicaram-lhe chapas ardentes nos lugares mais sensíveis do corpo.Mas enquanto os seus membros assavam, a sua alma não se rendia, e ele persístia na sua confissão (...) Maturus e Sanctus sofreram de novo todos os suplícios como se nada tivessem sofrido anteriormente: (...) as chicotadas, as mordidas das feras que os arrastavam na areia, e tudo aquilo que o capricho de uma multidão enlouquecida ordenava aos gritos; depois sentavam-nos na cadeira de ferro em brasas e, enquanto os membros queimavam, a repugnante fumaça da carne assada enchia o anfiteatro. (...) Entretanto não se conseguiu que Sanctus pronunciasse uma só palavra a não ser aquela que não parou de repetir desde o começo: Eu sou cristão. Para terminar, cortou-se a garganta dos dois mártires que ainda respiravam.

Blandina (uma jovem escrava cristã) durante todo esse tempo achava-se suspensa em um poste e exposta às feras: nenhuma fera tocou o corpo de Blandina. Tiraram-na então do poste e levaram-na à prisão para outra sessão... (...) Após ter sofrido as chicotadas, as feras, a cadeira de fogo, foi colocada em uma rede e atirada diante de um touro. Este lançou-a várias vezes ao ar com os chifres; ela parecia nada sentir, toda entregue à sua esperança, continuando sua conversa interior com o Cristo. Finalmente, degolaram-na. É verdade - diziam os gauleses (...) - jamais se viu em nosso país uma mulher sofrer tanto.

(ISSAC, Jules & ALBA, Andre, Roma. p. 196-7. Adaptado.)

O Sermão da Montanha

"Vendo ele as multidões, subiu ao monte. Ao sentar-se, aproximaram-se dele os seus discípulos. E pôs-se a falar e os ensinava, dizendo: 'Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos Céus. Bem-aventurados os mansos porque herdarão a terra. Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão sacíados. Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. Bem-aventurados os puros de coração,porque verão a Deus. Bemaventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. Bem aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos Céus (...) Ouvistes que foi dito: Olho por olho e dente por dente. Eu, porém, vos digo: não resistais ao homem mau; antes, àquele que te fere na face direita, oferece-lhe também a esquerda (...) Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: amaí os vossos inimigos e orai que vos perseguem; deste modo vos tomareis filhos do vosso Pai que está nos céus, porque ele faz nascer o seu sol igualmente sobre maus e bons e cair a chuva sobre justos e injustos (...)'".
A Bíblia de Jerusalém -
Novo Testamento. São Paulo,
Edições Paulinas, 1976.
Mateus, capítulo 5

Repare na imagem de Jesus (no fundo, ao centro) nessa litogravura de Gustave Doré. Ele é representado com barba e cabelos compridos. Não há na verdade nenhum registro da real aparência física de Jesus. Todas as imagens que o retratam foram feitas anos (e mesmo séculos) após a sua morte. Não sabemos, portanto, a cor de sua pele, nem a de seus olhos ou cabelos. Muitos pintores italianos dos séculos XlV, XV e XVI consagraram, em suas obras, uma imagem do menino Jesus loiro e de olhos azuis.

8 de ago de 2009

Marcos, o jovem humilde que virou escritor

É hoje reconhecido unanimimente no meio dos estudiosos da Palavra de Deus que o Evangelho de Marcos foi o Evangelho pioneiro ou original entre aqueles que chegaram aos nossos tempos formando o cânon bíblico, pois existiram também alguns outros chamados "evangelhos apócrifos". Nesses círculos, reconhece-se também que Mateus e Lucas valeram-se do Evangelho de Marcos como roteiro e base para os esboços históricos que iriam escrever também sobre a vida de Jesus.

Existe uma total concordância nos melhores comentários bíblicos em atribuir a João Marcos a autoria do segundo Evangelho do nosso cânon. Na identificação de quem seria este João Marcos, existe também bastante concordância indicandoo como aquele que teria sido companheiro e auxiliar do apóstolo Pedro, chegando mesmo alguns a afirmar que haveria algum parentesco entre eles. João Marcos que passou a ser identificado como Marcos, era filho de Maria em cuja casa estavam os crentes orando pelo apóstolo Pedro, quando este foi milagrosamente liberto do cárcere (At 12.12). Era também parente de Barnabé, seu sobrinho talvez, companheiro deste e de Paulo, em parte, da primeira viagem missionária que fizeram.

Todos os comentários apontam para o fato de que sendo Marcos em algum tempo companheiro e intérprete de Pedro no início de seu ministério apostólico, obteve dele os indícios de testemunha ocular do muito que se encontra na sua obra escrita, pois deve ter muitas vezes ouvido dos lábios do próprio apóstolo a narrativa da história e acontecimentos do ministério terrestre do Salvador, o que dá aos seus escritos quase uma percepção de que estivera presente nos acontecimentos que registrava.

O propósito do livro, assim transparece aos melhores comentaristas, foi o de deixar por escrito o registro da história de Cristo, para aqueles que já professavam a fé cristã, firmados em uma fé que já estava alicerçada na mesma fonte de onde Marcos recolhera o seu material - o testemunho ocular e oral do apóstolo Pedro. Digamos que com a proximidade do fim da vida do apóstolo, a idade avançada e as perseguições que sofria, o seu auxiliar sentiu a necessidade de "colocar no papel", aquilo que ficaria marcante para o futuro. Talvez até mesmo enquanto escrevia, pedia o "visto" ao seu preceptor.

Tendo como base o livro de Atos, tomamos conhecimento de que tendo sido ele companheiro de viagem do apóstolo Paulo e de ter sido bem conhecido no círculo apostólico, pois sua casa era frequentada por eles, teve por certo muitas oportunidades para conversar com Pedro e com as outras testemunhas oculares e auditivas da vida e dos ensinamentos de Jesus. Em meio aos problemas que enfrentavam como igreja primitiva, Marcos então

"escreveu para uma igreja mártir e em sofrimento, para cristãos que a qualquer instante poderiam ser forçados a entrar na arena de Roma, para servirem de comida para as feras".

Lembrem-se que ao tempo de sua escrita, Paulo e o próprio apóstolo Pedro, haviam sido martirizados recentemente, e o julgamento, condenação, paixão e morte do Senhor Jesus ainda estavam bem vívidos nas mentes dos cristãos primitivos. Essa "narrativa da paixão" a que Marcos destina grande parte dos seus escritos (ele estava provavelmente com Pedro em Roma asssistindo à perseguição da igreja), predomina o teor do Evangelho como um todo (mais de 1/5 do material do Evangelho foi a ela dedicado), a ponto de alguns comentaristas terem feito a observação de que Marcos ampliou a história da paixão em seu Evangelho.

Marcos, em alguns momento dos seus escritos, apresenta-se como o mais emocional e comovente dos escritores evangélicos. Modesto também, ele não se apresenta em nenhum momento, a não ser no episódio do jovem em fuga em 14.51,52, que para alguns comentaristas seria ele mesmo, que estando deitado para dormir, mas tendo sido acordado pela movimentação dos hóspedes no cenáculo de sua casa que saíam, resolveu segui-los, munindo-se apenas do lençol para cobrir-se. A sua linguagem para um dos comentários se

"caracteriza pela simplicidade, mas mesmo assim ele consegue obter certa grandiosidade".

Bibliografia: Capacitação Cristã - Novo Testamento - JUERP

Mateus, o funcionário público que virou escritor

Mateus seria o nome de um funcionário público como chamaríamos hoje. Esta função era, na época, reconhecida com o título de publicano ou cobrador de impostos a serviço do governo romano ou do rei Herodes. Mateus exercia sua função estatal em Cafarnaum, uma das cidades mais importantes à margem do Mar da Galiléia, sendo mesmo talvez o maior entreposto pesqueiro da região naquela época.

A narrativa bíblica nos conta que estando ele assentado na agência da alfândega local, Jesus o chamou para segui-lo como discípulo. O texto nos fala que ele, levantando- se prontamente, seguiu a Jesus, abrindo mão de todas as garantias e prestigio que a função pública lhe dava, embora desfrutassem os publicanos de certa resistência por parte dos seus compatriotas, pois eram vistos como traidores já que cobravam impostos para César (Mt 9.9; Mc 2.14; Lc 5.27).

Mais tarde ele será contado entre os doze apóstolos (Mt 10.3; Mc 3.18; Lc 6.15). Nestes dois últimos Evangelhos ele é denominado de Levi, filho de Alfeu. Era comum entre os judeus usarem dois nomes, por isso mesmo é bem provável que ele se chamasse a princípio pelos dois nomes (Levi, uma referência talvez à tribo dos seus antepassados), e que o nome de Mateus lhe tenha sido dado apenas após a sua conversão a Cristo, como aconteceu com Simão, a quem o próprio Jesus passou a chamar de Pedro, Simão Pedro.

Nas listas dos apóstolos ele figura sempre com o nome de Mateus, pelo qual também é conhecido o primeiro Evangelho. O fato de Jesus receber em seu discipulado um publicano, evidentemente animou outros homens das classes menos nobres, a segui-lo também. Com isso aumentou o ódio dos fariseus contra Jesus. Verifica-se isto por ocasião do banquete com que Mateus recepciona Jesus em sua casa, logo após a sua conversão, quando muitos publicanos e pecadores ali compareceram, provocando a crítica dos fariseus, aos quais Jesus deu famosa resposta. "Eu não vim a chamar os justos, mas os pecadores ao arrependimento" (Mt 10.13; Mc 2.15-17; Lc 5.29-32). Mateus não diz se o banquete foi em sua casa (Mt 9.10), porém tanto Marcos como Lucas (Mc 2.15; Lc 5.29), o dizem. Este último ainda acrescenta: "e lhe deu um grande banquete". Afirma a tradição que ele escreveu o seu Evangelho para os judeus.

Sua autoria do Evangelho, que leva o seu nome, é confirmada pela tradição unânime da igreja antiga pelo menos por quatro aspectos:
  1. Pela evidência que nos fornece em todo o seu conteúdo, mostrando que o escritor era judeu convertido ao cristianismo e emancipado do judaísmo;
  2. Como um livro tão importante como é este Evangelho, teria sido atribuído a um tão obscuro apóstolo sem que houvesse poderosas razões que o justificassem?
  3. Pela semelhança de sua forma de escrever o texto narrativo com os processos empregados pelos publicanos naquela época;
  4. Pelo modo reservado e discreto como descreve o banquete que deu a Jesus em sua casa diferindo da forma de Marcos e principalmente de Lucas,o que demonstra a discrição do seu espírito e de seu temperamento, pois pouco aparece ou é citado em toda a narrativa.
Para os historiadores, o Evangelho de Mateus, para ser bem compreendido, requer dos seus estudiosos a visão de uma igreja judaico-gentílica, alguns anos depois da primeira guerra judaico-romana (66/70 d.C), que foi a época em que deve ter sido escrito. Jerusalém e seu templo haviam sido destruídos, e a ruptura entre o judaísmo e o cristianismo estava agora completa. O que inicialmente havia sido uma igreja totalmente judaica, agora estava sendo ameaçada, de um lado por suas origens judaicas e pelo legalismo farisaico e, do lado, por sua formação gentílica, pelo antinomianismo ou libertinismo, com a discussão que levantavam de que em Cristo a Lei não seria mais exigida, o que era um duro golpe na convicção dos cristãos judeus.

Dentre os comentaristas que expõem sobre este Evangelho, podemos retirar algumas frases que registram a importância e significado deste livro, além daquilo que uma simples leitura pode nos oferecer:

"Lutando em duas frentes, Mateus indica um caminho que foge, por um lado, ao orgulho, superficialidade e irrelevância do legalismo, e, de outro, ao colapso moral e irresponsabilidade ética da licença que se mascara de liberdade".

"Mateus desejava principalmente convencer os seus leitores ou reafirmar-lhes que Jesus é o Cristo das expectativas veterotestamentárias, e o criador de um novo povo, de uma igreja indestrutível. Esta igreja não é vista nem como um "novo Israel" nem como um "verdadeiro Israel", mas como o povo de Deus, constituído de judeus e gentios. Mateus considerou a destruição de Jerusalém como julgamento sobre Israel, por ter rejeitado Jesus como o Cristo.
Ele considerava Jesus como o cumprimento da Lei, tanto como seu intérprete quanto alguém que realmente viveu à altura das intenções da Lei".

Bibliografia: Capacitação Cristã - Novo Testamento - JUERP

Lucas, o médico que virou escritor

É fato notório e reconhecido por todos que o terceiro Evangelho e o único livro histórico do NT têm um mesmo autor. Vistas as palavras introdutórias, bem como o exame do estilo literário de ambos é fácil perceber-se esta identidade. No livro de Atos, inclusive, ele se identifica como um dos companheiros do apóstolo Paulo a partir de um determinado momento quando começa a empregar a primeira pessoa do plural dos verbos em diversas partes do livro. Isso deve ter acontecido em Trôade, pois até ali o escritor comenta que "desceram a Trôade", para logo a seguir, após a visão do apóstolo, passar a dizer que "procuramos logo partir" (At 16.8,9).

Este companheiro de Paulo, que vai receber um epíteto muito simpático e significativo era médico. O apóstolo vai cognominá-lo de "o médico amado" (Cl .1 ) pois sem dúvida, em suas viagens, o apóstolo deve ter precisado muito da assistência desse homem que tece uma das partes mais belas e significativas do NT, com o seu Evangelho, pelos aspectos sentimentais e humanos que consegue imprimir à sua narrativa, como médico que era.

Sobre o conteúdo deste livro vale a pena registrar o que escreve um dos seus melhores intérpretes:

"Aqui há, indiscutivelmente, encanto literário. É um livro que somente um homem de cultura e de gênio literário genuíno poderia escrever. Tem a graça da simplicidade que possuem Marcos e Mateus e mais uma qualidade indefinível não encontrada neles, maravilhosos embora sejam".

O que este homem deve ter feito naquela época para coletar as informações e dados que iria transcrever em seu livro é um verdadeiro trabalho de pesquisa e busca que julgaríamos impossível de ser feito naqueles tempos. Como conseguiu viajar àquelas regiões e conversar com as pessoas, pois é isto que a maioria dos comentaristas julga que foi féito, é algo que nos dias de hoje, os recursos da comunicação e dos transportes tornam factível, mas que, para aqueles dias seria, sem dúvida, uma tarefa quase impossível.

Lucas, o escritor de espírito científico, pois era médico, um homem bem formado por certo, grego como se reconhecia naquela época quem judeu não fosse, ou gentio, convertido ao judaísmo talvez inicialmente, e depois ao evangelho de Cristo, amigo devotado de Paulo, faz a sua narrativa da vida de Cristo com um intelecto disciplinado, com um método de pesquisa de historiador, com um poder de discriminação e de diagnóstico próprio ao médico, com um atrativo de estilo todo pessoal, acompanhando tudo isso de uma reverência e de uma lealdade mui profundas para com a pessoa de Jesus Cristo, seu Senhor e Salvador.

Marcos escreveu para os romanos, e Mateus para os judeus, Lucas, por sua vez,visou ao mundo gentio. Ele manifesta compaixão pelos pobres e pelas classesdesprezadas. Por isso mesmo seu livro tem sido caracterizado como o Evangelho da mulher, o Evangelho da infância, o Evangelho da oração e de louvor. Poderíamos dizer que é em Lucas que temos os primeiros hinos cristãos. É com ele que alcançamos uma ligeira visão da infância de Jesus, pela qual temos que ser muito gratos ao médico amado, pois nos apresenta uma faceta especial do nosso Mestre e Senhor.

Não tendo Lucas participado dos acontecimentos descritos em seu Evangelho, valeu-se de fontes diversas para obter as informações de que necessitou. Uma conclusão amplamente aceita, dos estudos críticos do Novo Testamento, é de que Lucas teve acesso e usou extensivamente uma cópia de Marcos, o que Mateus deve ter feito também. Cerca de 70% das informações de Marcos aparece em Lucas. No entanto, Lucas usou bem menos de Marcos do que Mateus fez uso.

A vida e mensagem de Cristo, da forma como são apresentadas por Lucas, se relacionavam com os grandes problemas sociais daquela época. Vale a pensa registrar:
"Ele é colorido, em todo o seu decorrer, por uma compaixão pelos explorados e desprezados. O terceiro Evangelho nos leva a lembrar que fazemos violência à mensagem de Jesus Cristo quando a separamos de uma preocupação pelos problemas sociais do homem".

Bibliografia: Capacitação cristã - Novo Testamento - JUERP