33 Minutos que mudarão sua opinião sobre aborto

São 33 minutos que farão você pensar sobre o assunto. Cabe lembrar que o filme possui algumas cenas fortes, então recomendamos...

Modelo de Credencial de Igreja

Modelo de credencial. Você que está a procura de modelos de credencial para pastores e igrejas, chegou ao lugar certo! Ofereço o arquivo completamente editável por um preço acessível...

Palmas para Jesus

Vou apontar para alguns argumentos que me fazem discordar do gesto de “Bater palmas para Jesus” ou “aplaudir Jesus” ou mesmo aplaudir o grupo que está cantando em um culto...

Pregações do Pastor Juanribe Pagliarin

Pregações do Pastor Juanribe Pagliarin Diversas pregações do Pastor Juanribe Pagliarin disponibilizadas para download, basta acessar este link para você baixar...

Sermão Expositivo o Pastor - Hernandes Dias Lopes

Sermões do Pastor Hernandes: Você quer ser curado? Por que a igreja existe? A restauração de Deus na tragédia. Pastores segundo o coração de Deus. Você sabe quão rico você é?...

29 de jul de 2009

É Urgente Resgatar a Responsabilidade

O bom samaritano da parábola de Jesus (Lucas 10)  se engajou na tarefa de socorrer o necessitado, ele possuía algumas virtudes necessárias aqueles que se sentem afrontados por tanta violência e desejam contribuir de alguma forma para ajudar a diminuí-la. Ele possuía sensibilidade, proximidade, honestidade e, claro ele se sentia responsável. Ou seja, ele assumiu a responsabilidade pelo homem caído na beira da estrada. Ele agiu! Pois não seria suficiente ter todas estas qualidades e não agir. Ele se engajou para modificar aquela situação, utilizou os recursos que tinha à mão para cuidar das feridas, abriu mão de seu conforto para permitir que o homem seguisse em sua cavalgadura e empregou seu dinheiro para tratar do homem; enfim, responsabilizou-se frente à situação.

Tantos são os que, frente às circunstâncias que produzem a violência, responsabilizam o governo, a família ou mesmo buscam razões espirituais para justificar as coisas como estão; fazem como Adão diante do questionamento de Deus se havia comido do fruto proibido, dizendo: "a mulher que me deste por companheira me deu do fruto da árvore, e eu comi" (Gênesis 3.12). Somos há muito tempo, especialistas em encontrar responsáveis de modo a nos eximirmos de cumprir nosso papel.

Mas, enquanto insistirmos em perpetuar o gesto de Pilatos e "lavar-mos as mãos" frente às injustiças e à construção dos atos violentos, a vida seguirá de mal a pior. É urgente assumirmos nosso papel e, enquanto cristãos, empregarmos os recursos dados por Deus para fazer diferença nesta geração.

A igreja cristã no Brasil vê, diante de si, uma nação chocada com a violência que impregna as cidades do país. Faz-se necessário resgatarmos o olhar de Jesus para a multidão que era como ovelha sem pastor, e nos darmos conta que são discípulos de Cristo que precisam iniciar uma ação que, nas mãos do Senhor, possibilitará o milagre de ver a terra sarada.

O Cristão e o Compromisso com a Integridade da Vida

André Sant´Anna
Bacharel em Teologia pelo seminário teológico Batista do Sul do Brasil,
Formação em clínica pastoral pelo Hospital Batista de Assunção (Paraguai),
bacharelando em Psicologia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro,
pastor da Igreja Batista da Redenção,
Rio de Janeiro, RJ,
Casado com Márcia Sant´Anna

É Urgente Resgatar a Honestidade

O texto bíblico de - (Lucas 10.25-35) - revela que outra atitude para curar a imobilidade, frente às cenas de violência que cruzamos no cotidiano, é a que foi tomada pelo "bom samaritano" quando "encheu-se de compaixão". A ideia aqui é mais do que sensibilizar-se; é colocar-se no lugar do outro, assumindo uma atitude favorável. É necessário um olhar através das lentes da honestidade, quando tomamos conhecimento das cenas dramáticas de violência que podem se desenvolver, seja nos campos de guerra urbanos ou mesmo no interior das casas, quando a violência doméstica é imposta a mulheres e crianças, e nos lembrarmos de que poderia acontecer com qualquer um.

Se avaliarmos honestamente as tragédias relatadas nos jornais, nos daremos conta de que poderia ter acontecido conosco e, tantas vezes, acontecem; por isso, é imprescindível largarmos uma perspectiva ilusória e mentirosa de que só acontece com o outro. Vale lembrar que os contornos do primeiro assassinato da história se delinearam nos arredores do culto, onde Caim se encheu de ódio contra seu irmão Abel, e o ódio resultou em um atentado contra a vida. E isso num ambiente familiar e de adoração.

Exercitar a compaixão implica um olhar honesto para o outro entendendo que nós poderíamos estar naquele lugar, caso fossem outras as circunstâncias atravessadas e, por isso mesmo, sermos movidos a sentir honestamente com o outro e agir em favor dele.

É Urgente Resgatar a Responsabilidade

André Sant´Anna
Bacharel em Teologia pelo seminário teológico Batista do Sul do Brasil,
Formação em clínica pastoral pelo Hospital Batista de Assunção (Paraguai),
bacharelando em Psicologia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro,
pastor da Igreja Batista da Redenção,
Rio de Janeiro, RJ,
Casado com Márcia Sant´Anna

28 de jul de 2009

É urgente Resgatar a Proximidade

O Sacerdote e o levita - da parábola do bom samaritano - possivelmente, tiveram seus motivos para não fazerem nada diante do homem caído a beira da estrada: talvez a preocupação de o homem estar morto e se tornarem cerimonialmente impuros, caso o tocassem ou, quem sabe, pensaram tratar-se de uma emboscada ou mesmo de alguém fingindo, para se aproveitar da boa fé dos religiosos; mas, para confirmarem ou não suas suspeitas, eles precisariam se aproximar do indivíduo caído, e eles preferiram passar do "outro lado" (Lucas 10.31,32). Essa é a opção pelo afastamento, visto que muitos pensam ser melhor seguir, pois a igreja está esperando, a família, o trabalho e tudo mais. Mas, o samaritano da parábola aproximou-se daquele que estava caído.

Existem milhares de caídos à nossa volta, vítimas e vilões, porém indistintamente, seres caídos que precisam de auxílio para se levantar. Mas, estamos longe demais para estender a mão; ficamos do outro lado da rua, do outro lado da TV, do outro lado da cidade onde estão as crianças que desperdiçam suas vidas a serviço do tráfico. É preciso cruzar a avenida da vida e chegar junto dos que estão sendo vitimados nesta guerra.

Philip Yancey escreve um artigo publicado em sua obra "Perguntas que precisam de respostas", onde um pastor entrevistado que participara da libertação de prisioneiros do campo de concentração em Dachau, ao final da II guerra Mundial, declara que "(...) algumas vezes penso no que poderia ter acontecido se uma pessoa treinada e sensível fizesse amizade com Adolf Hitler enquanto ele ainda era jovem e impressionável, enquanto vagava pelas ruas de Viena, em seu estado de confusão. A palavra poderia ter evitado todo aquele derramamento de sangue em Dachau." É preciso se perguntar o que poderia ter acontecido se houvesse um cristão que se aproximasse dos assassinos de João Hélio quando ainda eram crianças em formação. Será que outras tragédias podem ser evitadas? Sim. Mas, para isso, é preciso aproximar-se dos que estão na mira das garras da violência e estender a estes outra possibilidade.

É Urgente Resgatar a Honestidade

André Sant´Anna
Bacharel em Teologia pelo seminário teológico Batista do Sul do Brasil,
Formação em clínica pastoral pelo Hospital Batista de Assunção (Paraguai),
bacharelando em Psicologia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro,
pastor da Igreja Batista da Redenção,
Rio de Janeiro, RJ,
Casado com Márcia Sant´Anna

É Urgente Resgatar a Sensibilidade

Diante do homem que sangrava, vítima da violência do seu tempo, os homens da religião, na parábola narrada por Jesus, limitaram-se a olhar e seguir adiante. Somente o samaritano interrompeu a sua jornada e permitiu-se parar diante daquela cena. Na era globalizada em que vivemos, sempre há muito a fazer, nossas agendas estão abarrotadas de compromissos e, como diz a máxima capitalista, "tempo é dinheiro". Não temos tempo a perder.

Diante de tanta violência que é servida diariamente nos mais variados meios de comunicação, nossos olhos foram sendo anestesiados e estamos perdendo a capacidade de nos sensibilizar. por isso, o primeiro passo a dar diante da violência que tenta nos devorar, implica permitir uma operação divina em nossos corações, onde Deus declara: "... Retirarei deles o coração de pedra e lhes darei um coração de carne." (Ezequiel 11.19).

Com um coração, dado por Deus, batendo em nosso peito, teremos renovada em nós a capacidade de sentir e parar. Cristãos e igrejas têm andado a passos muito apressados para cumprir seus ritos e projetos; está na hora de parar e conceder mais do que uma olhadela para os dramas que estão à nossa volta. Mas, para isso, é necessário que o nosso coração bata mais acelerado pelas pessoas do que pelas coisas. Enquanto cristãos, às vezes reeditamos o estilo de Jonas (profeta que amou mais uma abororeira que lhe dava conforto do que os habitantes de Nínive). Precisamos que nosso coração bata por aquilo que faz o coração de Deus bater, e o que faz o coração de Deus bater não são números, mas pessoas. Aquilo que está acontecendo com as pessoas à nossa volta deve nos levar a interromper a maneira como estamos conduzindo a nossa jornada.

Enquanto cristãos, às vezes reeditamos o estilo de Jonas - profeta que amou mais uma abororeira que lhe dava conforto do que os habitantes de Nínive.
É Urgente Resgatar a Proximidade

André Sant´Anna
Bacharel em Teologia pelo seminário teológico Batista do Sul do Brasil,
Formação em clínica pastoral pelo Hospital Batista de Assunção (Paraguai),
bacharelando em Psicologia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro,
pastor da Igreja Batista da Redenção,
Rio de Janeiro, RJ,
Casado com Márcia Sant´Anna

O Cristão e o Compromisso com a Integridade da Vida Humana

Pela televisão, como em um coliseu virtual, assistimos via satélite às cidades que sangram no Brasil e no mundo. Contudo, o sangue (ao contrário do que nossa cultura asséptica gostaria) eventualmente espirra em nossa face. As tragédias insistem em não ficar na tela da TV, mas grudam em nossa retina e seguem conosco, deixando-nos sobressaltados quando olhamos para as cenas comuns do dia-a-dia.

Acompanhamos todos os dias as notícias de uma guerra cada vez menos particular, que rejeita ficar confinada apenas em algumas localidades ou mesmo em alguns horários, mas que se espalha por todos os cantos do nosso país em tempo integral. Assistimos estarrecidos a episódios grotescos, que não ousaram ser imaginados nem pelos mais assustadores filmes de terror; lembramo-nos do menino João Hélio de 6 anos de idade que, preso por um cinto de segurança no banco traseiro do carro de sua família, foi arrastado até a morte por assaltantes, por um percurso de 7 quilômetros nos bairros da zona norte do Rio de Janeiro.

Contudo, como cristãos, o que mais faremos além de assistir a este big brother de horror? Qual o desafio de Cristo para seus seguidores nestes dias difícieis?

Nas páginas do Novo Testamento encontramos as orientações deixadas pelo Mestre sobre como nos portarmos diante das tragédias que nos sitiam e, mais ainda, sobre como agem os herdeiros do reino diante da violência. É na parábola do bom samaritano (Lucas 10.25-35) que o Senhor Jesus lança luz sobre a maneira como os filhos de Deus devem atuar em meio à violência humana.

Jesus apresenta o samaritano de sua parábola a seus ouvintes judeus como aquele que demonstra a atitude esperada dos que seguem o Messias. O samaritano da história bíblica, como nós, deparou com a violência que mancha nossas avenidas: um homem que, no caminho de Jerusalém para Jericó, fora assaltado e espancado por malfeitores, sendo deixado caído na estrada em perigo de vida. Esse episódio, que poderia ter sido notícia em qualquer telejornal dos nossos dias, era também visto nas ruas empoeiradas da Palestina. Entretanto, na perspectiva de Jesus, é possível tratar aquele incidente como algo maior do que um dado da estatística local e, por isso, nos desafia a sair da inércia frente aos dramas que circulam, seja no alfalto ou nos morros, em nosso tempo.

Vejamos, então o caminho a seguir:
É Urgente Resgatar a Sensibiliade
É Urgente Resgatar a Proximidade
É Urgente Resgatar a Honestidade
É Urgente Resgatar a Responsabilidade

André Sant´Anna
Bacharel em Teologia pelo seminário teológico Batista do Sul do Brasil,
Formação em clínica pastoral pelo Hospital Batista de Assunção (Paraguai),
bacharelando em Psicologia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro,
pastor da Igreja Batista da Redenção,
Rio de Janeiro, RJ,
Casado com Márcia Sant´Anna

Já Recebi o Livro "Mensagens que Transformam" do Pr. Marcelo de Oliveira


Quero parabenizar o Pr. Marcelo de Oliveira, pelo excelente livro.

Para quem não sabe o Pr. Marcelo de Oliveira editor do blog A Supremacia das Escrituras escreveu recentemente o livro: "Mensagens que Transformam". Nesta obra o Pr. Marcelo traz à tona questões relevantes que permeiam a realidade da igreja evangélica. O autor usa uma linguagem clara e objetiva, mas ao mesmo tempo profunda, de forma que esta obra serve tanto a leigos como a professores.

Com certeza o leitor será confrontado com as verdades expostas neste livro, e sentirá uma extrema necessidade de aplicá-las a sua vida. Creio que este foi o objetivo do caro Pr. Marcelo ao escrever esta obra.

Adquiri o meu e não me arrependo! Pelo contrário, gostei tanto, que irei encomendar um exemplar para o meu pastor - Luis Aires - que - pelo que eu conheço dele - irá gostar e muito. 1° pela riqueza desta obra e 2° por estar ganhando um presente.

"Sem Cristo, a santidade de Deus tinha de ser protegida de nós. Ele teria sido desonrado e, nós teríamos sido consumidos devido ao nosso pecado. Mas agora por Cristo, podemos nos aproximar e banquetear nosso coração na plenitude da santidade de Deus." (Pr. Marcelo de Oliveira. Em: "Mensagens que Transformam")

Pastor Marcelo, Deus lhe Abençoe!

26 de jul de 2009

Quero ser pastor a qualquer custo


Na verdade eu não quero isto, pelo menos não a qualquer custo. Mas eu percebo que cada vez mais e mais pessoas querem ser pastores. Querem ser reconhecidas de qualquer jeito. Isto é lamentável! Na verdade, falo de homens que acham que ser pastor é ser ídolo, é ter poder e ganhar glória. Fico chocado ao vê-los brigando por causa de cargos e títulos, usando armas carnais quando o assunto é espiritual. Sim, pois é Deus quem escolhe o homem para desempenhar esta função (Hebreus 5.4) só que esta verdade está sendo deixada de lado. Fico triste em ver tantos "pastores" - que se encaixam nestas condições - sendo levantados. Estes homens - quase sempre - sequer tem preparo e condições de assumir um rebanho, mas tanto fazem que acabam conseguindo, por isso que nós vemos tantos escândalos envolvendo "pastores". Sem contar os que se auto proclamam "pastores", mas este é outro assunto.

Não consigo entender o que leva uma pessoa, por exemplo, a puxar o saco do pastor na esperança de ser separado para alguma função dentro da igreja. E isso - puxar o saco - é o mínimo que eles fazem, pois se for necessário fazem até fofoca:
  • "Viu pastor, fulano não veio ao culto hoje, é um irresponsável.";
  • "Pastor, fulano de tal estava querendo queimar seu ministério, e isso eu não aceito.";
  • "Há pastor, eu não aceito que ninguém fale nada do senhor, mesmo que o senhor esteja errado."
E por ai vai. Eles difamam, observam cuidadosamente os erros dos outros para depois denunciar ao pastor, quando sabem de alguma fraqueza de um irmão fazem questão de ligar para o pastor e contar. Mas assim como no Templo só tinha vendedor, porque tinha comprador, neste caso não é diferente, eles fazem isso, e os pastores "alimentam", ao invés, de repreendê-los.

Daqui para frente irei me referir a estes irmãos que a qualquer custo querem ser pastores como: "desesperados por cargos".

O texto clássico que estes desesperados por cargos usam para justificar suas ambições, é o de 1° Timóteo 3.1 que diz: "Fiel é a palavra: se alguém aspira ao episcopado, excelente obra almeja." Só que eles ignoram o contexto todo, e acabam caindo em contradição, pois Paulo inicia falando isso, mas depois passa a descrever as qualificações, ou virtudes, que o candidato deve possuir. Vejamos alguns versículos:  

Verso 2: "É necessário, portanto, que o bispo seja irrepreensível, esposo de uma só mulher, temperante, sóbrio, modesto, hospitaleiro, apto para ensinar;" Os desesperados por cargos, já são apanhados aqui, não precisa nem uma análise mais profunda do texto para provar-lhes que estão errados. Mas, continuemos...

Verso 4 e 5: "Que governe bem a própria casa, criando os filhos sob disciplina, com todo o respeito (pois, se alguém não sabe governar a própria casa, como cuidará da igreja de Deus?);" A maioria dos desesperados por cargos, se ocupam tanto tomando conta da igreja - e dos irmãos - que sequer tem tempo para a família. Muitos deles dão mais atenção para as irmãs da igreja do que para suas próprias esposas, conheço alguns que inclusive, agridem suas mulheres. Muitos cultivam o ódio dos filhos, pois os obrigam a ir para igreja. O texto diz que o candidato deve: "... criar seus filhos sob disciplina, com todo o respeito." A atitude de obrigar os filhos a ir à igreja só serve para afastá-los de Cristo quando mais velhos.

Verso 6: "não seja neófito, para não suceder que se ensoberbeça e incorra na condenação do diabo." Segundo o dicionário, neófito, significa: "1 O que está para receber ou acabou de receber o batismo. 2 O recém admitido numa corporação. 3 Principiante, novato." Na maioria dos casos, os desesperados por cargos, são neófitos. E quando conseguem o que querem se enchem de soberba e maltratam o rebanho de CRISTO. É bastante provável que o querido leitor já tenha presenciado algo parecido, não é mesmo? Os mais experientes agem diferente: apóiam seus pastores, mas isso de forma coerente e não insana, achando que o pastor é infalível ou perfeito. Os mais experientes quando vêem algum irmão pecar, ao invés de fofocar para o pastor, aconselham, oram, oferecem apóio, eles não têm alegria na fraqueza de ninguém. Os mais experientes agem visando o bem estar do Reino de Deus, tudo isto, porque amam  a CRISTO e ao Seu rebanho, e em consequencia deste amor, Deus permite que cuidem do Seu rebanho. (João 21.15-17).

Verso 7: "Pelo contrário, é necessário que ele tenha bom testemunho dos que estão de fora, a fim de não cair no opróbrio e no laço do diabo." Os desesperados por cargos, quase sempre são tão insuportáveis e antipáticos que até mesmo "os de fora", ou seja, os incrédulos não gostam dele. Eu próprio já presenciei uma cena triste, certa vez quando estava junto com outros irmãos evangelizando, notei uma senhora falando para um diácono: "Eu não quero o folheto não. O senhor passa aqui todo dia, é meu vizinho, e nunca fala comigo. Porque que agora na frente do pessoal da igreja 'ta' vindo falar comigo?" Para muitos a atitude daquela senhora foi apenas um ataque do diabo a fim de atrapalhar a obra de Deus. Mas eu afirmo que não. Na verdade é um reflexo do distanciamento da simplicidade do Evangelho. Estamos muito distante da realidade da igreja primitiva que "caia na graça do povo". (Atos 2.42-47).

Passando para o outro lado.
Quero concluir esta reflexão dizendo que os desesperados por cargos não são os únicos culpados, na verdade, os próprios pastores são os maiores responsáveis por tudo isto.

Verso 14 e 15: "Escrevo-te estas coisas esperando ir ver-te em breve; para que, se eu tardar, fiques ciente de como se deve proceder na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, coluna e baluarte da verdade." Paulo, vendo que seu filho na fé era muito jovem e tinha uma grande responsabilidade, escreve esta carta a fim de ajudá-lo a desempenhar bem esta difícil tarefa. E dedica o capítulo 3 para mostrar as qualificações básicas do candidato ao ministério cristão. Esta orientação serviu para ajudar timóteo na escolha de seus companheiros  ministeriais. São essas características que devem servir de orientação para a escolha de um ministro do Evangelho. Por mais que alguém agrade ao pastor, dê-lhe presentes, seja seu amigo ou faça qualquer outra coisa, isso não deve servir de base para separá-lo ao ministério. Caso o pastor ignore esta verdade - não a minha, mas a declarada nos textos citados - sofrerá grande tristeza, vendo uma pessoa despreparada ocupando uma posição tão honrosa.

Recomendo a leitura do capítulo 3 de 1° Timóteo para que leitor compreenda as qualificações básicas que os ministros de Cristo devem possuir.

Em Cristo,
Maxmiler Freitas.

PS - Peço perdão pelo uso do jargão "puxar saco".

25 de jul de 2009

E Expulsou Todos os Que Ali Vendiam e Compravam.

"Então Jesus entrou no Templo e expulsou todos os que ali vendiam e compravam. E derribou as mesas e as cadeiras dos que vendiam pombas." (Mateus 21.12)


E expulsou todos os que ali vendiam e compravam. os vendedores armavam suas mesas e barracas no portão de entrada do pátio dos gentios, numa extensão conhecida como "os bazares dos filhos de Anás". É bom que se diga que as coisas vendidas ali eram úteis para o culto da época: pombas e ovelhas necessárias para os sacrifícios em favor dos pecadores. A Torá mandava o pecador trazer o melhor animal do seu rebanho, para expiar a sua transgressão: "Quando alguma pessoa cometer uma transgressão e pecar por ignorância  nos coisas sagradas do Senhor, então trará ao Senhor, por expiação, um carneiro sem mancha do rebanho, conforme a tua estimação em siclos de prata, segundo o o siclo o santuário, para expiação da culpa." (Levítico 5.15). Mas por melhor que fosse o animal trazido pelo pecador, os sacerdotes colocavam defeitos e o recusavam. Ao pecador não restava outra alternativa a não ser dirigir-se aos comerciantes e comprar "animais previamente aprovados pelos sacerdotes", pagando um preço escorchante. Muitas vezes o pecador dava o seu animalzinho como parte de pagamento, para depois vê-lo à venda, como "animal aprovado", igualmente oferecido por um preço exorbitante. Aquilo era revoltante.

Também naquelas barracas se faziam as trocas de moedas gregas e romanas pelo único dinheiro aceito no Templo "o siclo do Santuário", de emissão judaica. Porém os filhos de Anás - também sacerdotes - e os comerciantes que eles licenciavam, supervalorizavam o câmbio e obtinham grandes lucros nas trocas das moedas, em prejuízo dos peregrinos e adoradores. Quando terminava a Semana Santa, os peregrinos iam destrocar as moedas que sobravam e novamente eram aviltados. Como milhares e milhares de peregrinos e adoradores vinham ao Templo, o negócio era simplesmente gigantesco e altamente vantajoso para aquela casta. Jesus mexeu duas vezes naquele vespeiro: a primeira no início do seu ministério, três anos e meio atrás, quando expulsou os vendedores do Templo (João 2.14), e a segunda agora, na Sua última semana de vida.

A diferença é que, nesta segunda purificação, Jesus atacou a outra ponta da transgressão: os compradores do templo. 

Porque é lógico: se existe vendedor, é porque há comprador. Mesmo que pareçam inocentes e explorados, na verdade os compradores são há causa de continuar existindo comércio na Casa do Senhor. E entenda-se por Casa do Senhor inclusive, o quintal do Templo, que é onde estavam estes vendedores e compradores. Ainda que a "Esplanada dos Gentios" fosse considerada profanada, Jesus enfatiza que ali também é local sagrado e proíbe o comércio no Seu recinto. É chocante notar que o mesmo Jesus amoroso, que recebe de braços abertos a prostituta, o adúltero, o ladrão e até o mais vil pecador, não tolera e expulsa a chicotadas todos os vendedores e compradores que utilizam qualquer área do Templo para seus negócios.

Por: Juanribe Pagliarin
Em: O Evangelho Reunido

24 de jul de 2009

A Destruição do Grande Templo

"Ora, Jesus, tendo saído do Templo, ia-se retirando, quando se aproximaram d'Ele os seus discípulos, para lhe mostrarem os edíficios do Templo, como estavam ornados de formosas pedras e dádivas. E disse-lhe um dos seus discípulos: Mestre, olha que pedras e que edifícios! Mas Ele lhes disse: Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada." (Mateus 24.1; Lucas 21.5b; Marcos 13.1b; Mateus 24.2).

Que pedras e que edifícios! Aquelas pedras causavam muita admiração porque eram cortadas em esquadros perfeitos. Seus comprimentos variavam de 1,25 a 3,0 metros de largura por 1,0 metro de altura. Pesavam de duas a cinco toneladas cada! Eram empilhadas umas sobre as outras, sem argamassa, e formavam edifícios impressionantes. Recentemente, nas ruínas do Templo, arqueólogos encontraram pedras miores, de até cinquenta toneladas! Porém, a surpresa maior veio quando escavavam um túnel e deram com uma pedra gigantesca, que mede doze metros de comprimento por quatro de largura e três de altura! O seu peso foi calculado em quatrocentas toneladas! Imagine as suas dimensões e diga se realmente não é impressionante!

Não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada. Quando, no ano 70 d.C., o general Tito sitiou Jerusalém, era impossível penetrar numa cidade murada por tão grandes pedras. os judeus resistiram com fervor religioso. Depois de quatro meses e quatorze dias de cerco, o moral dos soldados romanos estava muito baixo e as tropas estavam cansadas e desanimadas. Então, espalhou-se a notícia de que os judeus formavam um povo muito estranho: além de adorarem a um Deus que não podia ser representado por ídolo algum, e de pararem o trabalho de seis em seis dias, tinham o curioso hábito de guardarem seus tesouros debaixo das pedras de suas casas, inclusive do Templo, que teria muito ouro nos seus alicerces! Aquele boato despertou a ganância dos soldados romanos e os impeliu a um ataque implacável, que terminou com jerusalém em ruínas! Terremotos posteriores acabaram por cumprir a profecia de Jesus.

Por: Juanribe Pagliarin
Em: O Evangelho Reunido

23 de jul de 2009

A Dracma Perdida

"Ou qual é mulher que, tendo dez dracmas, se perder uma, não acende a candeia, varre a casa e a procura diligentemente até encontrá-la? E, tendo-a achado reúne as amigas e vizinhas, dizendo: Alegrai-vos comigo, porque achei a dracma que eu tinha perdido. Eu vos afirmo que, de igual modo, há júbilo diante dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende." (Lucas 15.8-10)

A mulher. A igreja.

Dez. Número bíblico que indica totalidade, assim como a expressão "Os Dez Mandamentos" representa todos os Mandamentos. Jesus pergunta: Qual é a igreja que, tendo todos os membros, se preocupa tanto com uma só vida?

Dracmas. A dracma era uma moeda grega equivalente ao denário romano ou, segundo estudiosos a, dezesseis centavos de um dólar.
O termo dracma é derivado do verbo "δράττω" (dratto, "segurar").
Dracma da Lucânia, cerca de 535–510 a.C.

Varre a casa. Esta parábola, muito parecida com a da "ovelha perdida", fala de vidas que se perderam, porém, ao invés de vagarem nos desertos deste mundo, encontram-se perdidas dentro da própria casa. Corresponde àquelas pessoas que continuam dentro da igreja, mas estão igualmente perdidas. Precisam ser procuradas com diligência até serem achadas. Jesus ilustra estes dois tipos de "perdidos" na parábola do "filho pródigo".

Por: Juanribe Pagliarin
Em: O Evangelho Reunido

21 de jul de 2009

A Lei da Liberdade


Temos vivido um período de crescimento significativo no meio evangélico, muitos artistas estão abandonando(?) os palcos para servir a Cristo. Quem antes enganava agora prega(?). O nome de Jesus esta sendo anunciado. O povo esta "levantando" as mãos para Cristo, as igrejas estão super lotadas. Os jovens que antes saíam da igreja, porque, sendo eles da igreja não podiam fazer nada, agora já podem louvar a Deus e ouvir um pagodinho, ou um funk, se antes só podiam namorar jovens da mocidade - isso quando tinha algum jovem - agora namoram, ou melhor, "ficam" com qualquer um(a). Até os filhos de pastores que antes davam o exemplo - ainda que aos trancos e barrancos - para os demais jovens, agora andam fazendo o que querem, pois de que adianta o pastor ganhar o mundo inteiro e perder seus filhos?, com isso os pastores não cobram mais seus filhos para que eles não saiam da igreja. Sem falar em outras coisas que têm acontecido em nossos dias e nem de longe se parece com a realidade cristã que a Bíblia apresenta. Pelo contrário, qualquer um que estude a Bíblia Sagrada, ficará no mínimo chocado ao comparar a realidade bíblica e a realidade atual. Como bem diz um grande homem de Deus:  

"Vocês vão 'entrar em parafuso', porque o que tem acontecido nas igrejas hoje em dia não tem nada a ver com o que a Bíblia diz. Mas isso não deve servir para afastar vocês, pelo contrário, deve servir para ensinar vocês a como se comportar."

Vejo nesta situação dois extremos: antigamente não se podia fazer nada, até já ouvi dizer que o crente não podia ter moto, pois era coisa do diabo; hoje a coisa é diferente, "pode tudo". É tanto extremo, que em algumas igrejas quando o culto acaba os irmãos juntam os bancos e aproveitam o "salão" para jogar um futebol, ou ainda usam o púlpito como ringue de vale tudo. Como vimos, são dois extremos perigosos, quando na verdade o crente deve buscar o equilibrio, tal qual a Bíblia ensina.

Bem, no meio disto tudo o povo segue declarando que serve a Deus, a despeito de fazer mais sua própria vontade do que a vontade d'Ele. E para fazermos um paralelo, cito o exemplo do empregado que busca satisfazer as exigências do seu patrão, para não perder seu emprego. Cito ainda o exemplo do cônjuge que busca agradar seu parceiro, pois o ama e faz questão de manifestar isso. Só que na igreja é diferente, ou melhor, têm sido diferente, na igreja, os crentes - servos - que deveriam cumprir a vontade de seu Senhor, realizam, na verdade, suas próprias vontades. Junto é claro, com as vontades do pastor e da liderança eclesiástica..., muitas vezes buscando cargos e posição de destaque. Não estou me referindo à obediência ou submissão da qual fala o escritor aos Hebreus no capítulo 13, verso 17 de sua epístola, realmente devemos honrar nossos pastores e líderes, isso com muito amor. Refiro-me ao fato de alguns priorizarem mais as vontades dos homens em detrimento da vontade de Deus. Isso não é correto!

Devemos como servos - escravos - de Deus, submeter nossas vontades a vontade de Deus, isso tudo por amor, pois apesar de Deus ser nosso Senhor, Ele não quer robôs, mas homens e mulheres que - por amor - abrem mão de suas vontades para agradar seu Mestre. Na verdade este assunto soa como um paradoxo, pois um escravo geralmente busca a liberdade, mas nós não. Nós, apesar de escravos, ainda assim somos livres. Podemos dizer que Deus nos concede a liberdade de escolha para que escolhamos a sua liberdade em Jesus Cristo, que quer dizer: "obediência a sua vontade por amor". Somos livres para sermos libertos.

Por falar na "lei da liberdade" certo médico cristão de Londres, ilustrou-a através de uma interessante experiência: Ele recebeu de presente um magnífico cão de raça, e costumava a princípio levá-lo para passear todas as tardes, preso por uma corrente. Isto continuou por algumas semanas, até o cão se acostumar com ele. Então um dia, saíram sem a corrente. Logo que o cão se achou na rua, sem a "lei da corrente" para segurá-lo, correu com grandes saltos, para longe. Parecia que fugiria para sempre, porém, tal não sucedeu. Em seguida voltou e, muito satisfeito acompanhou o seu dono submisso a sua direção. Uma lei mais forte do que a corrente o prendia agora: era a lei da amizade e do amor. Não queria mais se afastar do seu dono a quem amava.

Dizia então, esse crente que havia em Londres três classes de cachorros: os cachorros vagabundos, que tinham liberdade sem lei; os cachorros presos por correntes, que tinham lei sem liberdade; e os cachorros presos pelo amor, com a "lei da liberdade", que podiam, mas não queriam fugir.

Querido irmão, nós devemos compreender esta verdade magnífica, e ao invés de nos prendermos a "correntes" de homens, que só servem para nos machucar e nos afastar de Deus, ou de andarmos completamente "livres" cumprindo apenas nossas vontades em detrimento da vontade de Deus. Devemos servir a Deus por amor, buscando conhecê-Lo cada vez mais através de Sua Palavra, sem se deixar levar por modimos e doutrinas de demônios (1° Timóteo 4.1), ensinadas por homens que não tem qualquer compromisso com Deus, antes, querem apenas se aproveitar da ignorância do povo.

Em Cristo
Maxmiler Freitas.

Igreja - Uma Comunidade de Redenção

    Jesus sonhou com uma igreja que desse continuidade ao seu projeto de resgate da humanidade para o amor do Pai. A missão redentiva da igreja no próposito de Jesus está evidenciada:

    Na Grande Comissão e textos correlatos, especialmente Lucas 24.44-47: "Assim está escrito, e assim convinha que o Cristo padecesse, e ao terceiro dia ressuscitasse dos mortos, e em seu nome se pregasse o arrependimento e a remissão dos pecados em todas as nações, começando por Jerusalém" (VR). Vale a pena destacar a diferença que faz a preposição grega eis, aqui como o acusativo, que indica extensão, propósito, na expressão "arrependimento para redenção". A mensagem entregue por Jesus à igreja para proclamar é de "arrependimento com o propósito definido de remissão". Jesus sonha com uma comunidade de remidos que seja um canal e sinal de redenção. Cada ser humano liberto do pecado por Jesus é uma prova, um sinal de redenção. Jesus sonhou com uma comunidade de remidos-para-remir, sendo ele mesmo o Remidor "através do seu sangue" (Efésios 1.7). Jeus estava disposto a pagar o preço - e pagou! para que o seu sonho se tornasse realidade. Agora ele sonha com igrejas que sejam canais de redenção para todas as nações. Sempre que a igreja perde a visão da sua missão redentiva, deixa de ser a igreja idealizada por Cristo. Na sinagoga de Nazaré, Jesus recita profecia de Isaías para declarar que foi ungido pelo Espírito do Senhor para "proclamar a remissão aos presos" (BJ). No Pentecostes, o Espírito do Senhor ungiu a igreja para dar continuidade à missão de redenção dos cativos do pecado, como Pedro demonstra entender ao apelar: "salvai-vos desta geração perversa" (Atos 2.40).

    As parábolas de Jesus demonstram a centralidade da redenção na própria natureza da sua proclamação. No pensamento de Jesus, porém, a redenção não é um fim em si mesma, senão um meio para resgatar o valor e o significado do objetivo da redenção. Por exemplo, nas parábolas de Lucas 15: A dracma, enquanto perdida, estava destituída de qualquer valor. Seu valor foi remido quando ela foi encontrada. A ovelha perdida estava condenada à morte. Seu valor para o aprisco estava nulo. Sua lã, seu leite, suas crias, tudo estava perdido. Ela foi remida para o aprisco. Seu valor foi resgatado. O filho pródigo estava morrendo. O tempo imperfeito dos verbos no verso 16 indica uma agonia continuada e progressiva. Foi remido para o convívio com o pai. Seu valor para o amor do pai foi resgatado. Como erramos quando pensamos na salvação como um fim em si mesma. O objetivo de Deus na redenção é o que se segue a ela: a nova vida dos salvos na comunhão santa e amorosa do Pai. Na parábola de Lucas 10, Jesus se apresenta a si mesmo como o samaritano que socorre o homem agonizante, vítima dos salteadores, leva-o a um lugar seguro, entrega-o aos cuidados do estalajadeiro, paga o preço e diz: "Cuida dele até que eu volte". O resgate da vida humana para o propósito divino original da criação, anterior à queda, para a vida abundante, é o objetivo que Jesus tem em mente (João 10.10). Cabe à igreja, como agência de redenção, não apenas chegar perto do pecador, erguê-los nos braços, prestar-lhe os primeiros socorros, cuidar das feridas da alma e do corpo, mas cuidar dele até que o Senhor volte.

    Os milagres de Jesus são sinais da redenção. Ele demonstra o propósito de resgatar a qualidade de vida do ser humano neste mundo como prenúncio da plenitude da vida na eternidade. Seu propósito não abrange apenas a remissão da culpa, mas o resgate da personalidade integral do ser humano para a vida em Deus. As curas efetuadas por Jesus não eram apenas provas da sua compaixão pelos que sofrem. Eram sinais para que todos cressem n'Ele a fim de alcançarem a vida eterna (João 20.31). O resgate espiritual,  a remissão dos pecados, uma nova vida era o seu objetivo, como vemos no caso do paralítico de Betesda, João 5.14: "Vai e não peques mais para que não te aconteça coisa pior". Saciar a fome da multidão como prova da sua compaixão pelos que sofrem era um sinal através do qual Jesus desejava ser aceito pela fé como o Messias selado com o selo da redenção João 6.26,27: "Vós me procurais, não porque vistes os sinais, mas porque comestes do pão e vos saciastes; trabalhai, não pela comida que perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna, a qual o Filho do Homem vos dará; porque a este o Pai Deus o selou."

Extraído da revista: "Capacitação cristã", "Série Aperfeiçoando". Edição n° 3 - Eclesiologia - A doutrina da igreja

Igreja, um evento sobrenatural


A igreja é um fenômeno sobrenatural. O seu surgimento e a sua sustentação através da história não se devem a fatores geográficos, psico-sociais, culturais, políticos ou econômicos, ainda que esses fatores exerçam natural influência na sua liturgia, na sua metodologia e na sua organização enquanto evento histórico, como bem sugere H. Richard Niebuhr. A igreja transcede à sua própria história. Todos os grupamentos humanos são formados seguindo as leis da dinâmica social. A escola responde à necessidade do saber. Os sindicatos respondem à necessidade de aglutinar os interesses dos que trabalham na mesma profissão. Os clubes, torcidas, associações de classe, academias, cooperativas, condomínios etc. sempre se formam a partir de interesses comuns para atender as necessidades naturais do ser humano. A igreja, porém, não é uma iniciativa do seu humano para atender às suas necessidades naturais. É uma iniciativa de Deus e, portanto, um evento sobrenatural na sua origem ("Edificarei a minha igreja" diz Jesus em Mateus 16.18), na sua mensagem, no efeito da sua proclamação e no seu destino eterno ("e reinarão para todo o sempre - Apocalipse 22.5). A declaração de Jesus "As portas do inferno não prevalecerão contra ela" significa que a igreja é transcedente, imortal e invencível, porque o seu Fundador e Senhor é Deus, é imortal, invencível, e porque todos os que dela fazem parte nele têm a vida eterna. A esse Cristo, Rei dos reis e Senhor dos senhores, adoramos na terra como prenúncio da adoração que lhe prestaremos por toda a eternidade na Glória.

Para Refletir
Quando vamos à igreja, o que nos impulsiona, o que nos anima? Assistir um bonito espetáculo como se estivéssemos em um teatro? Apenas ouvir, receber mensagens? Receber ensinamentos como quando vamos à escola? Encontrar amigos como se igreja fosse um clube social?

O sentimento e a intenção com que vamos à igreja deve ser sempre adorar a Deus. Doar-nos a Deus em adoração.

Para isso, é preciso que já em nossos lares sejamos adoradores de Deus. Quando adoramos a Deus no íntimo do coração e no recesso do lar, ir à igreja para adorar a Deus adquire o seu verdadeiro sentido e podemos dizer como o salmista: "Alegrei-me quando me disseram: vamos à casa do Senhor" (Salmos 122.1).

Extraído da revista: "Capacitação cristã", "Série Aperfeiçoando". Edição n° 3 - Eclesiologia - A doutrina da igreja 

19 de jul de 2009

Os quatro evangelhos

A primeira pergunta que surge ao começarmos o estudo dos Evangelhos e esta: por que são quatro? Por que não são apenas dois, três ou apenas um? A resposta é simples: pelo fato de ter havido, nos tempos apostólicos, quatro grupos representativos do povo - os judeus, os romanos, os gregos e a Igreja, que é um corpo formado dos três grupos. Cada evangelista escreveu para um desses grupos, adaptando-se ao caráter, às necessidades e aos ideais deles.

Mateus apresenta Jesus como o Messias, sabendo que os judeus aguardavam ansiosos pela vinda dele, prometida no A.T. Lucas escreveu para os gregos, um povo culto ideal era o homem perfeito; por isso fez que o seu livro focalizasse a pessoa de Cristo como a expressão desse ideal. Marcos descreveu Cristo como o conquistador poderoso porque se dirigia aos romanos, cujo ideal era o poder e o serviço. João tinha em mente as necessidades dos cristãos de todas as nações e, então, apresenta as verdades mais profundas do Evangelho, entre as quais, os ensinamentos acerca da divindade de Cristo e do Espírito Santo. O princípio de adaptação foi mencionado por Paulo em 1° Coríntios 9.19-21 e ilustrado em seu ministério entre os judeus e os gentios (compare a sua mensagem aos judeus em Atos 13.14-41, e a dirigida aos gregos em 17.22-31). Essa adaptação é uma nítida indicação de um desígnio divino nos quatro evangelhos.

A esse respeito, devemos lembrar-nos de que a mensagem dos Evangelhos dirigi-se à humanidade em geral, visto que os homens são os mesmos em todas as épocas.

Os antecedentes revelam mais uma razão para a existência de quatro evangelhos, a saber: um evangelho só não teria sido suficiente para apresentar os vários aspectos da personalidade de Cristo. Cada um dos evangelistas focaliza-o de um ângulo diferente. Mateus apresenta-o como rei; Marcos, como conquistador e servo; Lucas, como o Filho do Homem e João, como o Filho de Deus. Essa visão de cristo é como a de um grande edifício - só um lado pode ser exibido de cada vez.

O fato de os evangelistas terem escrito os seus relatos de diferentes pontos de vista explicará as diferenças entre eles, suas omissões e adições, a aparente contradição ocasional e a falta de ordem cronológica. Os autores não procuraram produzir uma biografia completa de Cristo. Levando em consideração as necessidades e o caráter do povo para o qual escreviam, escolheram os acontecimentos e discursos que destacassem exatamente sua mensagem especial. Mateus, por exemplo, escrevendo para o povo judeu, fez que tudo no seu evangelho - a seleção de discursos e acontecimentos, as omissões e adições, o agrupamento dos fatos - servisse para realçar a missão messiânica de Jesus.

Vamos ilustrar a maneira com que cada evangelista ressalta em aspecto particular da personalidade de Cristo. Suponhamos que quatro escritores se propõem a escrever a biografia de uma pessoa famosa com estadista, soldado e autor. Um desejaria salientar sua carreira política, colhendo relatos de campanhas e discursos. Outro, os êxitos literários. O terceiro, com a intenção de sublinhar suas proezas no campo militar, descreveria  as promoções, condecorações e batalhas nas quais se distinguiu. O quarto, quereno exaltar as virtudes manifestas na vida domésticam, descreveria fatos que o mostrassem como pai, esposo o amigo ideal.

Os primeiros três evangelhos são chamados sinóticos, porque fornecem uma "sinopse" (vista geral) dos mesmos acontecimentos e têm um plano comum. O Evangelho de João foi escrito em base inteiramente diferente dos outros três.

Os pontos de diferença entre os sinóticos e o evangelho de João são os seguintes:
  1. Os sinóticos contêm uma mensagem evangélica para os homens não espirituais; o de João contém uma mensagem espiritual para os cristãos.
  2. Nos três vemos seu ministério na Galiléia; no quarto, de modo especial, o ministério na Judéia.
  3. Nos três sobressai a vida pública; no quarto, é revelada sua vida particular.
  4. Nos três impressiona sua humildade real e perfeita; no quarto, sua divindade admirável e verdadeira.
Por: Myer Pearlman; Em: Através da Bíblia Livro por Livro; Editora: Vida Acadêmica.

18 de jul de 2009

Liturgia na igreja primitiva




A liturgia da igreja primitiva era simples e obedecia a uma sequência espontânea, com naturalidade. Os cânticos eram os Salmos (1° Coríntios 14.26; Colossenses 3.16). As orações eram dirigidas ao mesmo Deus dos judeus (Atos 4.24). Os referenciais teológicos eram do Velho Testamento. Rapidamente, porém, operou-se a transição para uma nova liturgia, na qual a pessoa de Cristo ocupava o lugar central pela celebração da Ceia do Senhor (1° Coríntios 11.20ss). Após uma refeição comum, cânticos eram entoados, eram feitas orações, as cartas dos apóstolos eram lidas (Colossenses 4.16); celebrava-se a Ceia do Senhor (não confundida com a refeição comunitária) e ensinava-se a doutrina , visando aprofundar e fortalecer a fé. Supõe-se que algumas das formas de doxologia incorporadas a vários textos, especialmente paulinos, seriam recitativos, talvez até cânticos usuais nos cultos. Veja exemplos em Romanos 11.33-36; 2° Timóteo 3.16.

As profecias e revelações tinham muita valia, uma vez que as Escrituras Sagradas do Novo Testamento ainda estavam em desenvolvimento. Esses dons eram necessários para que pudesse ser dada a interpretação correta aos eventos relacionados com a pessoa de Cristo à luz ds profecias, dos salmos e da lei. Estava implícito que o ensino recebido nos cultos deveriam ser colocados em prática na vida diária (Tiago 1.25). Ministravam-se os batismos, ofertas eram levantadas para o sustento da obra missionária e para beneficência (1° Coríntios 16.2), tudo com muita simplicidade, e nem poderia ser de outro modo, uma vez que os cultos eram realizados nas casas que hospedavam as igrejas. As reuniões se davam no primeiro dia da semana. Essas formas litúrgicas eram postas em prática no mundo inteiro, devendo cada povo adorar a Deus na sua própria língua. Havia extremo cuidado para que os novos convertidos não trouxessem para a liturgia cristã as práticas da sua pregressa idolatria (1° Coríntios 10.14ss). A pureza litúrgica era tão essencial ao culto cristão como a exclusividade da adoração a Deus em Cristo (1° Coríntios 10.21). As mulheres não eram impedidas de participar da liturgia orando e profetizando (1° Coríntios 11.5). A liturgia devia ser observada "decentemente e com ordem" (1° Coríntios 14.40).

Extraído da revista: "Capacitação cristã", "Série Aperfeiçoando". Edição n° 3 - Eclesiologia - A doutrina da igreja

Finalmente, uma advertência

"Mas entre vós não será assim"

Uma advertência que tem sido feita à igreja católica em relação ao absolutismo do poder papal, deve ser ainda mais crucial em relação às igrejas que, por definição, têm uma estrutura democrática de governo. Jesus não estabeleceu uma hierarquia de poder funcional de cima para baixo na Sua Igreja, como nos governos e empresas do mundo, mas uma escala de valores espirituais, de baixo para cima. Os critérios de seleção de Jesus causaram espanto entre os apóstolos que, como todos os seres humanos, disputavam o poder e discutiam entre si para saber qual deles seria o maioral. Esses critérios estão claros em Marcos 10.42-44: "Sabeis que os que julgam ser príncipes das gentes delas se assenhoreiam, e os seus grandes usam de autoridade sobre elas; mas entre vós não será assim; antes, qualquer que entre vós quiser ser  grande, será vosso serviçal (diakonos - ministro); e qualquer que dentre vós quiser ser o primeiro, será servo (doulos - escravo) de todos". Piedade, santidade, humildade em servir, eficiência em alcançar os objetivos do Reino, contam mais do que títulos, abrangência de poder, tempo de serviço, competência profissional ou simpatia pessoal. As funções do ministério, tanto na esfera da igreja local quanto na cooperação entre igrejas, devem ser encaradas como oportunidades de servir, de abençoar, de ser exemplo de respeito às liberdades individuais na comunidade, nunca dando lugar ao espírito autoritário, discricionário e ditatorial, que é a negação da liberdade  em Cristo, para a qual fomos chamados. A sede de mando, a luta pelo poder, as carências pessoais, não raro mórbidas, que se transformam em disputas pela primazia na igreja, têm causado maiores danos à igreja do que os ataques de fora. A "síndrome de Diótrefes" (3° João 9,10) é uma das estratégias na liderança do Reino. Mas ao dizer: "entre vós não será assim", Jesus acrescenta: "Porque o Filho do Homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos". Mirem-se no exemplo de Cristo todos aqueles que têm a oportunidade de servir no Reino e o façam com humildade, sem vanglória, na completa dependência do espírito de Deus.

É impressionante como, em igrejas aparecidas de uns tempos para cá, tem surgido uma verdadeira "guerra dos títulos". Bispos e bispas, apóstolos, estão faltando ainda os títulos de arcebispos e cardeais. Isso tudo é emulação carnal e mundana. Jesus adverte: "Entre vós não será assim". Biblicamente, não há uma hierarquia entre pastores, e os demais obreiros(1). Tanto os obreiros quanto os pastores devem toda a lealdade: primeiro, a Cristo, depois, à Igreja e depois uns aos outros no temor do Senhor. Pastores e obreiros unidos em amor tratando-se com mútuo respeito e dignidade, trabalhando com humildade, são os instrumentos de que Deus precisa para abençoar a sua igreja e, através da igreja, o mundo inteiro.
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(1) Neste caso, "obreiros", representa todos que atuam na obra do Senhor, presbíteros, evangelistas, missionários, diáconos e inclusive, os próprios pastores.
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Extraído da revista: "Capacitação cristã", "Série Aperfeiçoando". Edição n° 3 - Eclesiologia - A doutrina da igreja.

17 de jul de 2009

Os dons de liderança na igreja

Que bom se todos os líderes de igrejas soubessem disto!

Apóstolo (apostolos) - Figura como substantivo ou adjetivo, significando "embaixador" comissionado, aquele que é enviado com uma missão específica. Ocorre 79 vezes no Novo Testamento. Stricto sensu, designa um grupo de 12 homens que conviveram com Jesus e são testemunhas pessoais do seu ministério e da sua ressurreição. A estes 12, Jesus enviou com autoridade sobrenatural para operar sinais e proclamar a sua mensagem. lato sensu, designa uma das funções dos missionários cristãos (Interpreter's Bible Dic, in loc). Em que pese a doutrina católica de sucessão apostólica e a presunção mórmom de possuir os doze, os textos bíblicos, em nenhuma instância deixam a idéia de uma transmissão ou linha sucessória. Não é um título formal ou institucional, mas operacional, como todos os títulos de liderança no NT. Paulo atribui a si  mesmo o título de apóstolo (1°Coríntios 9.2), por considerar-se embaixador de Cristo. Esse título de Paulo foi contestado em Corinto. Sobre o espírito com que os apóstolos devem servir, veja João 13.14-16. Não é função de domínio nem de prestígio pessoal, mas de serviço.

Profetas (profetes) - Aquele que anuncia em voz alta, porta voz, o que fala em nome de alguém que lhe é superior. No NT, "aquele que, movido pelo Espírito de Deus como seu porta voz, declara solenemente aos homens o que dele recebeu por inspiração, especialmente sobre eventos futuros e proclama o Reino de Deus para a salvação do ser humano" (Thayer, citação livre). Este título é aplicado aos profetas do Antigo Testamento, a João Batista, ao Messias (Atos 3.22,23). Surgiram alguns cristãos na Igreja primitiva com revelações especiais (Atos 15.30). É considerado um dom espiritual (1° Coríntios 14.29), não um título formal. Designa a percepção sobrenatural em relação aos propósitos de Deus para a Igreja e para o mundo. Foi um dom espiritual de grande valia quando a Igreja ainda não possuía as Escrituras do Novo Testamento. Não confundir profetas com adivinhos ou prognosticadores, totalmente vedados nas Escrituras. O profeta verdadeiro encarna a vontade de Deus e proclama os juízos de Deus. O falso profeta encarna sua própria vontade e proclama sua própria palavra. O Espírito Santo, ainda uma vez, faz a diferença.

Evangelistas (evangelistes - Efésios 4.11) - Portador das boas novas, aquele que anuncia as boas de salvação. "designa os proclamadores das boas novas que não eram apóstolos" (Thayer). Veja Atos 21.8; Efésios 4.11; 2° Timóteo 4.5 (Paulo exorta Timóteo a fazer a obra de um evangelista). Veja em Atos 8.4 que todos exceto os apóstolos, (que não foram dispersos, v.1), foram por toda a parte, anunciando a palavra. Todos eram evangelistas.

Pastor (poimenas) - Não designa posição hierárquica ou institucional, mas a virtude do líder para apascentar o rebanho de Jesus (1° Pedro 5.2,3). É um dom do Espírito (Efésios 4.11). Há pastores verdadeiros e pastores falsos. O verdadeiro dá a vida pelas ovelhas. O falso, mercenário, que não está emocionalmente  ligado às ovelhas, "vê vir o lobo e deixa as ovelhas; e o lobo as arrebata e dispersa" (João 10.11,12). Jesus deu a Pedro, apóstolo, pescador de profissão, a incumbência de apascentar os seus cordeiros, como resultado do seu amor ao Senhor (João 21.17). Qualquer outra motivação que não seja o amor a Jesus, resultará em fracasso no pastoreio das ovelhas de Jesus. Ninguém pode amar as ovelhas sem amar a Jesus "mais do que estes" e ninguém que ame a Jesus pode deixar de amar as ovelhas de Jesus. O cuidado pastoral abrange: a) Zelo para com a vida de cada ovelha do rebanho individualmente (Lucas 5.4); b) interesse e carinho em nutrir as ovelhas do rebanho (Salmo 23.2); c) proteção do rebanho, em face dos predadores (Amós 3.12); d) fortalecimento das ovelhas para poderem resistir aos predadores na ausência do pastor (Atos 20.29-31); e) responsabilidade, consciência de que terá que prestar contas das ovelhas a Deus (Hebreus 13.17).

Mestre (didaskalos) - Também traduzido por "doutores" (Efésios 4.11) e "instruidores" (1° Timóteo 2.7). Paulo, apóstolo, é "doutor" dos gentios. Ele não sente que seja sua obrigação, apenas proclamar o evangelho, mas levar os salvos a viverem o evangelho. Veja em Gálatas 4.19, que o grande e desafiador alvo do mestre cristão é formar o caráter de Cristo nos discípulos, não apenas transmitir conhecimentos sobre Cristo. O ensino do mestre cristão só é válido mediante a unção do Espírito. Faça uma boa leitura de 1° João 2.27, onde se vêm em contraste, o ensino ungido da verdade e o ensino do erro (pseudos). Cuidado: o pseudo-discipulado pode estar encastelado dentro da Igreja. A unção da verdade capacita o mestre a permanecer em Cristo "para que quando ele se manifestar, tenhamos confiança e não sejamos confundidos por ele na sua vinda" (v. 28). Assim podemos resumir as funções dos mestres no NT: a) tornar claro o ensino de Jesus; b) traçar a linha divisória entre a verdade e a mentira para que os discípulos de Jesus não sejam enganados pelos falsos mestres; c) levar os discípulos a observarem, no seu modo de viver, os ensinos de Jesus (Mateus 28.20); d) preparar a Igreja para o encontro com Cristo na sua vinda.

Supervisor (episkopos) - Bispo, superintendente, aquele que tem uma visão global da obra, o que faz a inspeção da obra. De epi (sobre, superior, por cima de) e skopeo, "observar de longe, desde cima, pôr a vista em, ter por fim, ter cuidado, velar, examinar" (Isidro Pereira). Não designa posição de mando, mas de serviço específico e responsabilidade. Thayer traduz: "alguém incumbido do dever de observar o que está sendo feito por outros". Abrange: a) conhecimento dos objetivos parciais, para que seja alcançado um objetivo global; b) conhecimento das tarefas e das pessoas que as executarão; c) capacidade para atribuir tarefas e acompanhá-las, substituir métodos e pessoas na hora própria. Em 1° Timóteo 3 são mencionadas as funções de bispos e diáconos distintamente, o que dá a entender que havia apenas duas categorias de obreiros nas Igrejas: diáconos e pastores, estes também chamados anciãos, mestres, bispos, evangelistas, conforme a função em foco. A.H. Newman, historiador, no seu Manual de História da Igreja, Vol. 2, página 134, cita nomes dos mais aceitos na erudição bíblica em favor da tese de que na Igreja primitiva havia apenas duas categorias de oficiais: bispos ou presbíteros (também chamados pastores), e diáconos.

Anciãos (presbyteros) - Refere-se à dignidade, ao respeito devido, à sabedoria  prudência nas palavras, decisões e atitudes, que o pastor deve demonstrar, não importa a sua idade. É mais um termo grego vestindo um conceito hebraico. Tecnicamente, a palavra define apenas a idade. Espiritualmente, o conceito tem raízes na cultura hebraica, cuja sociedade patriarcal buscava nos "anciãos" conselhos de sabedoria e prudência. Não se trata de uma instituição eclesiástica. Todos os líderes devem cultivar a virtude da prudência e moderação. Em Lucas 14.32, presbeian é uma embaixada de paz. Veja em Lucas 22.66 que os anciãos formavam o sinédrio, que outras traduções chamam de concílio. 1° Timóteo 4.14 não fala de um presbitério institucional, mas de uma reunião de obreiros idôneos para imporem as mãos sobre a cabeça de Timóteo, como ato de reconhecimento público da sua capacitação espiritual para o ministério e não como um ato mágico de transmissão de virtude.

Ministro (diakonos) - O uso secular desta palavra equivale a "criado, servente" (Isidro Pereira). "Alguém que executa as ordens de outrem, especialmente de um mestre; servo, ministro, atendente." (Thayer) Refere-se ao servo a serviço do rei. Em Mateus 22.13, os diáconos são os servos do rei que recebem a ordem de amarrar o intruso da festa e atirá-lo nas trevas exteriores. Em Mateus 20.26, Almeida Revisada traduz por "serviçal". BLH traduz "o que é mandado." Outras versões trazem "o que serve". Em Colossenses 1.25 Paulo se considera "ministro segundo a dispensação de Deus", literalmente, "diácono conforme a mordomia de Deus." Em Romanos 13.4, a autoridade secular é designada como "ministro de Deus". Em Atos 6.2,3, o diaconato é formalmente instituído para "servir às mesas." (dos pobres). Posteriormente, as igrejas passaram a escolher diáconos para gerir os vários aspectos da beneficiência e da sua administração secular.

Extraído da revista: "Capacitação cristã", "Série Aperfeiçoando". Edição n° 3 - Eclesiologia - A doutrina da igreja.

15 de jul de 2009

Que bom se hoje em dia ainda fosse assim

Jesus recrutou líderes que ele mesmo escolheu visando à consecução do seu plano de implantar o seu Reino na terra. Ele não os escolheu pelos critérios geralmente aceitos como válidos para o recrutamento de pessoal, mas segundo os critérios de Deus, que olha não para a aparência, mas para o coração (1° Samuel 16.7). Critérios espirituais, ditados pelo Espírito Santo. A igreja segiu os seus ensinamentos nessa matéria, com grande sucesso.

Nas igrejas do Novo Testamento, como nas de hoje, as funções de liderança foram de fundamental importância para dar cumprimento ao propósito de Jesus, uma vez que Deus está determinado a usar vidas para alcançar vidas. Os obreiros eram responsáveis pela "boa ordem" nas igrejas. Havia extremo cuidado na escolha da liderança, pois as igrejas sabiam que o "rebanho segue o pastor" (leia Tito 2.7,8) e que uma boa liderança é necessária para o crescimento da igreja. Não havia hierarquia funcional. Havia autoridade espiritual. Os mais piedosos, que servissem com humildade, seriam reconhecidos como líderes (1° Timóteo 3.13). Não havia "leigos". Todos eram ministros, todos eram servos. A divisão entre clero e laico é desconhecida no livro de Atos. 

Os diferentes títulos indicam funções de serviço, conforme os dons espirituais e a capacitação provada na prática, nunca uma posição hierárquica.

Jesus sabia, que para a realização do seu propósito de edificar a sua Igreja, precisaria perpetuar seu próprio trabalho através das igrejas que, para isso, necessitariam de liderança eficaz. Ele não somente dedicou tempo em instruir e treinar líderes, mas deu-lhes o seu próprio exemplo. Em João 20.21 lemos, literalmente, "Assim como o Pai consumou o ato de me enviar, eu estou começando a vos enviar a vós". Jesus é o "Apóstolo e sumo sacerdote" (Hebreus 3.1). Ele é o profeta que encarnou e proclamou os juízos de Deus (Atos 3.22). É o evangelista, proclamador de boas novas (Lucas 4.18-20), o bom  pastor que dá a sua vida pelas ovelhas (João 10.11), o mestre revestido de autoridade (Mateus 23.8,10), o bispo que possui uma visão global e superior do Reino, podendo ver o presente e o futuro, o local e o universal simultaneamente (Atos 1.8). Ele é o diácono que se cinge de uma toalha para lavar os pés dos discípulos (João 13.13-16). Depois de instruir os discípulos e de lhes dar o exemplo, Jesus lhes envia o seu Espírito para permanecer neles, capacitando-os para serem apóstolos, (pastores ou mestres, evangelistas, bispos, anciãos) e diáconos com o mesmo Espírito. 

Jesus, através do seu Espírito, não institui cargos na Igreja, mas funções de serviço, nas quais todos têm igual responsabilidade e igual recompensa.

A espiritualidade é a obra do Espírito Santo na Igreja. O Espírito Santo não produz barulho, gritaria , descontroles emocionais nem revelações fantasiosas. Seu fruto na Igreja é o amor, a alegria, a apaz, a longanimidade, a benignidade, a bondade, a fidelidade, mansidão e domínio próprio (Galátas 5.22,23). Essas são as marcas de uma igreja verdadeiramente espiritual e devem ser também as marcas da sua liderança.

Extraído da revista: "Capacitação cristã", "Série Aperfeiçoando". Edição n° 3 - Eclesiologia - A doutrina da igreja.

Jerusalém dos tempos apostólicos aos dias de hoje



"Com a destruição de Jerusalém e do templo no ano 70 d.C. e a devastação de toda a Judéia, a Palestina perdeu completamente sua importância política, e só voltou a alcançar alguma importância depois do ano 323 d.C. quando o imperador Constantino aderiu ao cristianismo, voltando a cair no esquecimento com a decadência do Império Romano (475 d.C.). Exceto nos tempos das Cruzadas (anos 1000 de nossa era), que foram feitas com a "intenção da devolução das terras sagradas" aos cristãos, a Palestina permaneceu esquecida até o fim a I Guerra Mundial, quando os aliados a libertaram do Império Otomano e abriram as portas do país à imigração judaica.

Em 1922, a Inglaterra assumiu por mandato da Liga das Nações, a incubência de colocar a Palestina em condições políticas, administrativas e econômicas que garantissem a instalação de um lar nacional judeu; e foram delimitadas as fronteiras do país, ficando excluída a Transjordânia. O mandato terminou em 1948 com a retirada da administração britânica.

Em 1947 a Assembléia das Nações Unidas votou pelo estabelecimento, na Palestina, de um estado judeu e de um estado árabe. Os arábes palestinianos, não conformados com a situação, deram início a uma série de hostilidades contra os judeus, que resistiram, e em 14 de maio de 1948 foi proclamado o Estado de Israel, com a estrutura de republica democrática, o primeiro governo autônomo do país em 2 mil anos de história. Exatamente no dia seguinte ao término do mandato inglês da Palestina os Estados da Liga Árabe invadiram o território de Israel com o propósito de liquidá-lo. Estava deflagrada a guerra israelense de independência, que só terminou em 1949 (...) e que resultou na ampliação da área do estado judeu além das fronteiras propostas pelas ONU na chamada Revolução Partilha.

Em 1955 voltaram as incursões de bandos armados egípcios no terrítorio israelense, saqueando, matnado centenas de judeus resultando na invasão da península do Sinai por Israel em outubro de 1956, terminando por vencer o inimigo e destruir suas bases de penetração. As Nações Unidas, no entanto, constrangeram as forças israelenses a se retirarem para suas fronteiras anteriores (...). Terminou assim a chamada Guerra do Sinai. De fato as promessas foram cumpridas, mas 10 anos depois, a pedido do Egito (aliado da Síria, provocadora da tensão), as forças internacionais foram retirads das fronteiras israelenses e em 5 de junho de 1967, Israel foi invadido pelos quatro países simultaneamente (Síria, Jordânia, Egito e Argélia), arrastando consigo mais oito estados árabes. Israel enfrentou os inimigos em três frentes: Síria, Jordânia e Egito, destruindo seu poder beligerante em cerca de 100 horas e ocupando todas as áreas ao ocidente do Jordão e quase toda a península do Sinai". (Osvaldo Ronis. Geografia Bíblica)

As ocorrências da atualidade, envolvendo isralenses e palestinos, atos de terrorismo e de retaliação, aparentemente numa luta sem fim, representam a ponta da história em movimento, até chegarem dias em que se cumpram as antiga promessa de Deus aos descendentes de Abraão.

Os hóspedes de Deus

De acordo com a hospitalidade do oriente, o hóspede é protegido de qualquer dano; quem se refugia na tenda dum beduíno do deserto, acha segurança e sustento. O hóspede de Deus, muito mais, acha proteção de todos os inimigos e participa das generosas provisões que são servidas aos que ali habitam. Essa hospitalidade, enquanto estamos ainda na terra, é a comunhão com Deus. Essa comunhão é rompida por qualquer dos atos maus descritos noa Bíblia Sagrada, e só o arrependimento e o perdão da parte de Cristo podem restaurá-la.
 
Deus descreve as condições para essa comunhão, que, depois da morte, passará a ser inefável comunhão eterna no céu. A pergunta: "Quem, Senhor, habitará no teu tabernáculo? Quem há de morar no teu santo monte?" (Salmo 15.1).  
"O que vive com integridade, e pratica a justiça, e, de coração, fala a verdade; o que não difama com sua língua, não faz mal ao próximo, nem lança injúria contra o seu vizinho; o que, a seus olhos, tem por desprezível ao réprobo, mas honra aos que temem ao SENHOR; o que não empresta o seu dinheiro com usura, nem aceita suborno contra o inocente. Quem deste modo procede não será jamais abalado." (Salmo 15.2-5)
Quem quiser andar em comunhão com Deus precisa sujeitar à vontade de Deus os pés, as mãos, o coração, a língua, os ouvidos e os olhos. Os hóspedes de Deus devem se conformar aos seus padrões, no comportamento, no pensamento, no serviço cristão.

Firmes num mundo de mudanças.


A despeito das grandes transformações que vivemos e presenciamos, o caráter do homem descrito na Bíblia Sagrada não somente o qualifica a andar em comunhão com Deus, como também o deixa em condições de ficar firme e inabalável no meio das mudanças e incertezas deste mundo. Como exercício devocional nestes tempos de perturbação mundial, podemos olhar algum livro de história e ler uns jornais da atualidade, e, finalmente, a nossa Bíblia; a história nos mostra as grandes mudanças pelas quais as nações do mundo têm passado, com os impérios que surgem e decaem, e os mapas geográficos sempre alterados, e a Bíblia nos mostra aquele que é o mesmo ontem, hoje e para sempre. Na Bíblia aprendemos que a justiça, prática da vontade de Deus, é a única coisa estável e imutável, e que "o mundo passa, bem como a sua concupiscência; aquele, porém, que faz a vontade de Deus permanece eternamente" (1° João 2.17).

14 de jul de 2009

A atitude de Deus é a resposta à nossa atitude

Esta é a verdade ensinada nos vv. 25,26 do Salmo 18. Muitas pessoas ficam perguntando a si mesmas por que Deus permitiu que alguma experiência difícil chegasse a elas. Em certos casos, sem dúvida, as provações visam a fortalecer e a purificar o caráter humano. Noutros casos, porém, os acontecimentos desagradáveis podem ser a resposta divina à maneira de agirem para com seu próximo. Deus, às vezes, nos trata duramente porque é assim que tratamos os outros. Davi nos informa que Deus nota como agimos e, portanto, nos trata de acordo. "Bem aventurados os misericórdiosos, porque alcançarão misericórdia" (Mateus 5.7). "Com a medida com que tiverdes medido vos medirão também" (Lucas 6.38). "Porque o juízo será sem misericórdia para com aquele que não usou de misericórida" (Tiago 2.13)

Cada pessoa receberá a sua comida segundo aquilo que emprega para dar aos outros, e o seu terreno conforme a metragem da sua maneira de se haver com seu próximo. Nenhuma regra poderia ser mais justa - mais terrível para os ímpios e mais honrosa para os justos. Se os homens entendessem que seus truques e "contos do vigário" recaíriam contra eles, fugiriam desesperadamente do cometer qualquer ato desonesto.